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Muda modelo para dívida da construtora Odebrecht

Valor Econômico, Graziella Valenti, 12/jun

A piora na situação financeira da holding Odebrecht S.A. (ODB) e o fim do diálogo com a LyondellBasell, para venda da Braskem, tiveram repercussões também na negociação entre a OEC (Odebrecht Engenharia e Construção) e os detentores de US$ 3 bilhões em bônus internacionais. A estrutura em torno da qual a empresa e esses credores conversam para reestruturação a dívida sofreu alterações, a partir de reunião na sexta-feira, conforme o Valor apurou com fontes próximas às conversas, e a perspectiva de consenso cresceu.

Anteriormente, havia expectativa de que a ODB poderia contribuir com recursos na construtora, provenientes da venda da Braskem. A partir de agora, essa hipótese não existe mais e o modelo será todo desenvolvido só em torno de OEC. "Os limites da negociação ficaram mais claros, mesmo as notícias não sendo boas. Isso trouxe mais objetividade às conversas", disse fonte envolvida com o tema.

Em proposta apresentada em abril, a OEC buscava redução de 70% da dívida com a transformação do valor cortado numa espécie de debênture de participação nos lucros (DPL) - um título sem vencimento, sem juros e remunerado por dividendo pré-fixado.

Agora, as conversas não giram mais em torno desse instrumento. A OEC continua em busca de um corte dessa magnitude. Mas o plano é que a nova dívida tenha vencimento para além de dez anos, com, no mínimo, quatro anos de carência para juros. Além disso, quando não for possível pagar o serviço da dívida, ele será automaticamente somado ao principal, sem nova negociação.

A avaliação, de pessoas próximas à Odebrecht, é que a situação da holding também traz urgência na solução para a OEC. "Os credores pareceram entender essa necessidade", afirmou uma das fontes consultadas. Isso porque é importante que a construtora, pela sua atividade, demonstre saúde financeira e fique desvinculada da situação da ODB para ter competitividade na conquista de projetos de grandes obras, que exigem financiamentos e seguros.

A deterioração do cenário da ODB trouxe impacto no preço dos bônus garantidos pela construtora. Os papéis transacionados a cerca de 20% do valor de face caíram para cotação abaixo de 10%.

Na negociação sobre os bônus, a Odebrecht entendeu que terá de ficar sem acessar dividendos da construtora, pelo menos, durante a carência de juros. Mas ainda tentará garantir que receberá parte dos resultados após esse prazo.

A reunião de sexta-feira foi considerada um avanço, pelo lado da OEC. Contudo, não há como garantir que os consensos em torno do corte da dívida e dos dividendos para a ODB serão simples.

As partes têm até o fim de junho garantido para negociar. Caso, no fim deste mês, haja a disponibilização das informações trocadas entre a construtora e os detentores de bônus ("blow out", no jargão financeiro), será sinal de novo impasse. Se esse período for prolongado, é indicação de que o entendimento está evoluindo. O contrato de confidencialidade foi assinado em 8 de abril.

Hoje, o grupo dos bondholders que negocia é formado por cinco grandes gestores, donos de quase 45% da dívida. O grupo cresceu com a inclusão da suíça Pala Asset, que se soma às gestoras Alliance Bernstein, Fidelity, BlackRock e Gramercy. O plano é, após um acordo, homologar as definições dentro uma recuperação extrajudicial. Para isso, será necessária aprovação de 60% dos credores.

A potencial venda da Braskem trazia grande expectativa aos detentores de bônus da OEC porque a construtora é detentora de 40% da OSP, veículo pelo qual a Odebrecht controla a petroquímica.

Os bônus de US$ 3 bilhões são a soma de sete emissões feitas pela holding internacional Odebrecht Finance (OFL), controlada pela ODB, e garantidos pela OEC. Esses recursos foram captados para o grupo diversificar negócios. O pagamento dos juros desses papéis transformou a construtora em credora da ODB em US$ 2,2 bilhões.

O fato de a construtora ser credora da holding e ter fatia indireta expressiva em Braskem geravam a crença dos bondholders de que poderiam obter algum aporte da ODB. O que antes era um pleito virou apenas uma esperança e não está mais na mesa.

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