Notícias do setor

Famílias migram para apartamentos enxutos no Butantã, perto do metrô

Folha de São Paulo, Karina Sérgio Gomes, 16/jun

O engenheiro civil Rafael Sullivan, 36, mora com a família em uma casa de 300 metros quadrados, com quintal e cachorro, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. A chegada da filha Lara, há dois anos, fez com que ele reavaliasse as prioridades.

Para trocar as cerca de duas horas no trânsito até o trabalho, na região da avenida Paulista, por tempo ao lado da filha, decidiu comprar um apartamento de 66 metros quadrados no Butantã, para o qual deve se mudar em alguns meses. "Resolvemos trocar espaço por tempo", diz.

Ele não é o único. A proximidade do bairro com as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Luís Carlos Berrini e a inauguração da estação São Paulo-Morumbi da linha 4-amarela do metrô, no ano passado, levou a uma migração de famílias para a região.

Em 2017, foram lançadas 114 unidades no Butantã. No ano passado, 940. Já no primeiro trimestre deste ano, 290, de acordo com o Secovi-SP (sindicato da habitação).

A maioria é de apartamentos voltados para jovens casais com filhos, com plantas de até três dormitórios, mas que não ultrapassam os 75 metros quadrados.

Um deles é o Eldorado Butantã, da Trisul. Entregue em abril, tem 116 apartamentos de 2 ou 3 quartos em plantas de 66 a 74 metros quadrados.

Para Lucas Araújo, superintendente de marketing da construtora, esse modelo de apartamento com mais cômodos em metragem ainda enxuta é resultado das exigências do Plano Diretor Municipal de São Paulo, de 2014.

"Para construir perto do metrô, há várias restrições, como a obrigatoriedade de mais unidades em um espaço menor. Assim surgem apartamentos mais compactos, mas ainda voltados para famílias", diz.

Outra que investe nesse público é a Even. Ela entregou em abril o Praça Butantã, com imóveis de dois e três dormitórios em plantas de 50 a 67 metros quadrados. Fica a dois minutos da estação Vila Sônia da linha 4-amarela, que deve ser inaugurada em 2020.

Para Marcelo Dzik, diretor comercial da construtora, o tamanho reduzido dos imóveis é compensado por áreas de lazer generosas, com piscina, salão de festa e academia. Já o metrô próximo equilibra a falta de vagas de garagem.

Para o professor João da Rocha Lima Júnior, do núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP, o bairro passa por uma requalificação. "O Butantã e seus arredores ainda têm muitas áreas com casas e galpões de empresas, que começaram a ser desativadas. A região está se tornando mais residencial", diz.

O diretor de atendimento da Lopes, João Henrique, diz que o metro quadrado no Butantã fica em torno de R$ 9.000.

A procura pelo bairro é alta, e há poucas unidades disponíveis nos lançamentos no bairro pela Lopes no último ano. "São projetos com bom preço, numa área que estava carente desse modelo de empreendimento."

Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]