Notícias do setor

Barra Funda amplia fronteira e atrai público mais jovem

Folha de São Paulo, Eduardo Sombini, 16/jun

De um lado da rua Anhanguera, na Barra Funda (zona oeste), a paisagem é dominada por casas térreas e sobrados. Do outro, estandes de vendas e obras de torres residenciais com mais de 20 andares ocupam o lugar de antigos galpões industriais.

Esse trecho do bairro, na fronteira com o Bom Retiro, localizado entre a marginal Tietê, os trilhos do trem e as avenidas Dr. Abrahão Ribeiro e Rudge, passou ao largo do processo de verticalização visto em outras áreas da zona oeste, como Perdizes e Vila Madalena. Nos últimos anos, o cenário tem mudado.

A construtora Yuny está erguendo, na rua Anhanguera, o empreendimento West Side, com 266 apartamentos, divididos em duas torres. A maioria (75%) das unidades já foi vendida. A entrega está prevista para abril de 2021.

A 600 metros dali, a incorporadora já tinha concluído, em 2016, o Pateo Barra, com três torres de apartamentos.

Para Fabricio Costa, gerente comercial da Yuny, a proximidade da região com o centro e a oferta de grandes terrenos, cada vez mais raros em São Paulo, ajudam a explicar a movimentação na região.

"Desenvolver empreendimentos em terrenos grandes permite maior diversidade de plantas e itens de lazer. Os prédios também têm número maior de apartamentos, o que diminui o valor do condomínio", diz Costa.

No lote vizinho ao West Side, a Living (do grupo Cyrela) está construindo o Living Clássico, lançado há oito meses. Com 228 apartamentos de dois ou três dormitórios, deve ficar pronto em três anos.

De acordo com o diretor de incorporação da Cyrela, Felipe Cunha, apenas 25% das unidades ainda estão disponíveis. Casais jovens com filhos são os principais compradores.

Para Cunha, o preço dos imóveis é um fator determinante para o desempenho dos lançamentos nessa região. O metro quadrado ali custa em torno de R$ 7.000, mais barato que nos vizinhos Pacaembu e Perdizes.

Já a Setin deve concluir o Tendência, situado na rua Cônego Vicente Miguel Marino, em março de 2020. Mais da metade dos 280 apartamentos já foi vendida. Famílias que compram para morar são a maioria, como em outros empreendimentos da área.

O bairro ainda não tem uma grande oferta de serviços, mas a aposta das construtoras é que a chegada de moradores possa trazer novos negócios e, assim, valorizar a área.

Luciano Amaral, diretor-geral da construtora Benx, estima que o preço dos imóveis deva ter um aumento de 15% a 20% nos próximos cinco anos.

A empresa construiu, em parceria com a Engelux, sete torres residenciais em um terreno na mesma Cônego Vicente Miguel Marino.

Para Paula Santoro, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, o perfil da região já começa a mudar.

Ela cita a inauguração de novos bares e restaurantes voltados ao público jovem, uma espécie de extensão da vizinha Santa Cecília, além de um fablab, espaço compartilhado que oferece equipamentos como impressora 3D e cortadora a laser, e o galpão da galeria Fortes D'Aloia & Gabriel.

A chegada desses estabelecimentos pode ser um indicativo de que bairros mais valorizados, situados do outro lado da linha do trem, estão influenciando essa área da Barra Funda. A professora, no entanto, ressalta que é muito cedo para prever os rumos do mercado nos próximos anos.

Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]