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Edifícios de alto padrão com lojas no térreo proliferam na região oeste

Folha de São Paulo, Flávia G. Pinho, 16/jun

Pinheiros e Vila Madalena ganham mais edifícios de alto padrão com lojas no térreo e residências nos andares superiores. Alguns dispõem também de escritórios nos pavimentos intermediários.

Prédios assim, que quase deixaram de ser erguidos em São Paulo desde os anos 1970, voltaram com força, porque o Plano Diretor, de 2014, os estimula.

Os espaços comerciais do térreo passaram a não ser descontados do coeficiente de aproveitamento. A mudança combate a desertificação das calçadas, provocada pelos edifícios cercados por grades e muros, diz o urbanista Nabil Bonduki. Quando os térreos são ocupados comercialmente, a circulação de pessoas gera mais segurança para pedestres e moradores.

Fundador da Idea!Zarvos, Otavio Zarvos conta que defende o conceito desde a criação da empresa, em 2005. "Dos 38 empreendimentos que entregamos, metade tem fachada ativa."

Entregue em dezembro, o Pop Xyz é um deles. Com unidades de 54 a 109 metros quadrados, fica a um quilômetro da estação Vila Madalena da linha 2-verde do metrô.

O projeto tem apartamentos padrão, com jardim e coberturas. No térreo, lojas da Flo Atelier Botânico são servidas por uma praça aberta ao público.

Já o Spot393 está em construção no bairro. Terá 94 apartamentos, com dois ou três dormitórios, 20 salas comerciais e loja no térreo com 488 metros quadrados. A construtora tem outros 11 empreendimentos nesse formato.

Nada impede que as áreas comerciais sejam ocupadas por escritórios, mas a Zarvos prefere as lojas. E não é qualquer lojista que terá sinal verde. "Fazemos uma curadoria ativa. Queremos negócios alinhados ao nosso padrão estético, como galerias de arte, cafés, floriculturas e lojas de decoração. É importante não desvalorizar o prédio", diz.

Fundada em 2016, a Nortis é outra incorporadora que aposta nas fachadas ativas. Dos seus sete empreendimentos em construção, cinco são assim.

Lançado em novembro em Pinheiros, a 400 metros da estação Oscar Freire da linha 4-amarela do metrô, o Pod é o mais recente. Terá 127 apartamentos com plantas de 36 a 93 metros quadrados, sete lojas no térreo e 15 salas comerciais no segundo e terceiro andares. O acesso aos espaços comerciais será feito por uma praça coberta; duas portarias servirão os escritórios e apartamentos.

Rodolfo Del Valle, gerente de marketing da Nortis, diz que o perfil da clientela é muito variado. "Trabalhamos com um valor médio de R$ 1,5 milhão. Temos compradores de meia idade, famílias, investidores e clientes mais jovens."

Presidente da Sociedade Amigos de Vila Madalena, o publicitário Cássio Calazans de Freitas é um entusiasta das fachadas ativas.

Por ocuparem terrenos próximos a eixos de transporte público, ele acredita que os prédios mistos combatam dois dos problemas mais críticos da região: o trânsito e a falta de estacionamento.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]