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Inflação fica em 0,01% em junho; alimentos e transportes contribuem para desaceleração

O Globo online, Gabriel Martins, 10/jul

Os preços no Brasil tiveram uma ligeira alta de 0,01% em junho, na comparação com o mês imediatamente anterior. Este percentual é o menor desde novembro de 2018, quando o país registrou deflação de 0,21%. O percentual tão próximo do patamar negativo foi influenciado pelo comportamento do preço dos grupos alimentação e bebidas e transportes.

Juntos, os dois grupos representam cerca de 43% das despesas das famílias. No mês passado, eles apresentaram deflação de, respectivamente, 0,25% e 0,31%.

Em relação aos alimentos, a deflação foi influenciada pelos preços das frutas (-6,14%) e do feijão carioca (-14,8%). Do lado dos transportes, a deflação teve como causa o preço da gasolina, que recuou 2,04% no período.

Fernando Gonçalves, gerente do Sistema Nacional de Índice de Preços do IBGE, destaca que a queda no grupo de alimentação está relacionada à safra dos produtos:

- Em relação à inflação de junho, já está contabilizada a segunda safra. Com isso, tem mais oferta de frutas e feijões, produtos que no início do ano estavam em alta por conta de problemas de safra.

No primeiro trimestre deste ano, o feijão-carioca chegou a registrar alta de 105%. Este percentual desacelerou bastante e, nos seis primeiros meses do ano, acumula alta de 38%.

O grupo de saúde e cuidados pessoais foi o responsável para que a inflação não ficasse negativa em junho. O grupo registrou alta de 0,64%, na comparação com maio.

No acumulado do ano, a inflação está em 2,23%. Este patamar é bem inferior à meta do governo para o ano, que é de 4,25%. Em 12 meses, a inflação acumula alta de 3,37%.

Júlia Passabom, analista do Itaú Unibanco, pontua que comportamentos pontuais, além de resultados mais acelerados no início do ano, ajudam a compreender o resultado próximo à deflação em junho.

- A bandeira verde na conta de luz, a redução no preço dos combustíveis nas refinarias da Petrobras e reversão das altas da inflação no início do ano explicam o resultado quase que negativo - destaca a analista.

Júlia avalia que a inflação deve continuar controlada, mas não com resultados tão baixos, próximos a zero.

- Por conta de choques pontuais, como bandeira tarifária na conta de luz e safra dos alimentos, quase observamos uma deflação em junho. Mas para os próximos meses, a tendência é de resultado controlado, porém, não na linha do zero.

Daniel Silva, economista da Novus Capital, pontua que além dos choques pontuais, a fraca retomada da economia ajuda a entender um resultado tão baixo para a inflação:

- Com uma lenta retomada da economia, alto desemprego e renda dos trabalhadores baixa, a demanda ainda não reage como o esperado. Sendo assim, a inflação fica abaixo do centro da meta.

Os analistas consultados pela Bloomberg projetavam uma deflação de 0,03% em junho.

Corte nos juros

A inflação controlada abre uma janela para que o Banco Central (BC) decida cortar a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic), destaca Júlia, do Itaú Unibanco. Além dos preços sob controle, ela destaca que a tramitação da reforma também contribui para este cenário de corte.

- A inflação, ao lado do andamento da reforma da previdência na Câmara e sua possível aprovação no primeiro turno antes do recesso parlamentar, abrem caminho para uma redução na Selic na reunião do Copom em julho. Projetamos um corte de 0.5 ponto percentual no primeiro momento.

O economista da Novus Capital também projeta que o BC reduzirá a taxa de juros.

- Com uma inflação abaixo da meta, além do andamento da reforma da Previdência na Câmara, fica aberto o caminho para que seja feita um corte na Selic.

As principais altas no ano (primeiro semestre)

Plano de saúde

4,87% (impacto de 0,20 p.p)

Ônibus urbano

6,53% (impacto de 0,18 p.p)

Cursos regulares

4,93% (impacto de 0.16 p.p)

Higiene pessoal  5,07 (impacto de 0.13)

Batata inglesa

49,87% (impacto de 0.10 p.p)

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