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GBLP quintuplicará área de galpões em cinco anos

Valor Econômico, Chiara Quintão, 23/jul

A Goodman Brazil Logistic Partnership (GBLP) está investindo no aumento de seu portfólio de galpões, no Estado de São Paulo, para atender à demanda por áreas decorrente da esperada expansão do comércio eletrônico, em um cenário que considera crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país no patamar de 2% ao ano a partir de 2020 e continuidade de redução da taxa de vacância do mercado. A empresa planeja quintuplicar, em cinco anos, seu portfólio, de 300 mil metros quadrados para 1,5 milhão de metros quadrados. Os recursos de fundo já captado, no valor de R$ 2,5 bilhões, vão financiar o incremento.

Em meados de 2018, o Goodman Group passou por reestruturação, no Brasil, por meio de parceria com os investidores internacionais APG, Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), First State Super e GIC. A GBLP comprou ativos de R$ 1 bilhão da Goodman no Brasil e passou a ser o único veículo de investimento da australiana no país. Desde a reestruturação, a GBLP comprou terrenos que vão possibilitar a construção de 400 mil metros quadrados de galpões.

Em agosto, a empresa dará início às obras de projeto com 120 mil metros quadrados, que será desenvolvido em um desses terrenos, localizado entre os municípios paulistas de Vinhedo e Itupeva. A entrega do galpão está prevista para setembro do próximo ano. A GBLP prefere que a locação do empreendimento seja atrelada ao modelo de construção sob medida (build to suit). Caso não seja possível fechar esse tipo de operação, vai desenvolver um galpão especulativo, ou seja, sem locação prévia.

Na capital paulista, a GBLP comprou terreno em Itaquera, na frente do estádio de futebol conhecido como "Itaquerão", para desenvolver um galpão de 41 mil metros quadrados. "A zona Leste concentra um terço da indústria e do comércio da cidade e não tem nenhum galpão classe A", diz o presidente da empresa, Cesar Nasser. Há expectativa de obtenção de licenças até o meio de 2020 e entrega até meados de 2021.

O empreendimento do Itaquera será desenvolvido no formato especulativo, com módulos em torno de 1.000 metros quadrados, e destinado à necessidade de empresas de comércio eletrônico de oferecer abastecimento "last mile". Isso significa, na prática, a empresa de e-commerce ter operações em galpão próximo ao centro da cidade, o qual responderá pela última etapa de armazenamento e distribuição dos produtos antes de os itens chegarem às mãos do consumidor, em um prazo considerado curto.

"Com a chegada da Amazon ao Brasil e o aumento da competição no comércio eletrônico, o diferencial passa a ser o prazo de entrega", afirma Nasser.

Segundo ele, a GBLP aproveitou o período de retração nas compras de terrenos por parte de incorporadoras residenciais para adquirir áreas na cidade de São Paulo. O presidente diz esperar que as negociações de áreas passem a ser mais difíceis com o reaquecimento na demanda por terrenos para construir moradias.

A GBLP tem outros projetos em fase de obtenção de licenças localizados até 40 quilômetros da cidade de São Paulo.

Nos planos da empresa, está a aquisição de terrenos para mais 800 mil metros quadrados de galpões até junho de 2021. Essa área somada aos 400 mil metros quadrados em fase de desenvolvimento ou de obtenção de licenças e aos 300 mil metros quadrados em operação resultarão no total de 1,5 milhão de metros quadrados de galpões projetados para daqui a cinco anos. A expectativa é ter os empreendimentos totalmente locados em seis anos. A GBLP tem avaliado também oportunidades de compra de portfólios de galpões.

No Rio de Janeiro, a GBLP não está agressiva nas aquisições de terrenos "Estamos cautelosos em relação a mercados fora de São Paulo", diz o executivo. A empresa possui dois galpões nesse mercado - um de 145 mil metros quadrados construído sob medida para a Via Varejo, e um especulativo de 77 mil metros quadrados, com 55% de ocupação. Em Minas Gerais, a GBLP tem 61 mil metros quadrados alugados em Betim.

Vacância cai para 19% em São Paulo, diz Colliers

A taxa de vacância de condomínios logísticos de alto padrão do Estado de São Paulo ficou em 19% no segundo trimestre, de acordo com dados da consultoria Colliers International Brasil. Foi a primeira vez em quatro anos que o indicador ficou inferior a 20%, conforme a Colliers. Nos condomínios logísticos localizados até 60 quilômetros do centro da capital paulista, o indicador que mede a fatia de espaços vagos em relação ao total foi de 16%.

A absorção bruta chegou a 371 mil metros quadrados, e o segmento de comércio eletrônico respondeu por 30% das novas locações. De abril a junho, o novo estoque entregue somou 180 mil metros quadrados, de acordo com a Colliers. O levantamento apontou preço médio pedido por metro quadrado de R$ 18,5, abaixo dos R$ 19 do mesmo período de 2018.

Pesquisa da NewmarkGrubb aponta que a absorção bruta de condomínios industriais e logísticos somou 231,9 mil metros quadrados, no Estado de São Paulo, no segundo trimestre. A absorção bruta - áreas contratadas menos espaços devolvidos - foi de 103,8 mil metros quadrados, levemente abaixo do trimestre anterior. Conforme a consultoria, o preço pedido por metro quadrado ficou praticamente estável, em R$ 18,5.

Segundo a Newmark, a taxa de vacância caiu de 26,1% para 24,7%, devido à falta de entregas. Na comparação anual, a redução da vacância foi de 5,6 pontos percentuais. Nos cálculos da consultoria, há 500 mil metros quadrados de galpões em construção.

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