ADEMI na Imprensa

Bradesco vai ficar com mais de 50% de torres da Odebrecht no Porto

O Globo online, Glauce Cavalcanti, 05/set

A Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR), que ficou fora do processo de recuperação judicial da Odebrecht S.A  (ODB), está prestes a dar mais um passo rumo à redução de sua dívida. A empresa costura a venda para o Bradesco de 50% do Porto Atlântico , projeto comercial no Porto do Rio . A transação, equivalente a R$ 250 milhões, vai cobrir parte da dívida que a OR tem com o banco, que financiou a construção do empreendimento concluído em meados de 2016, disse uma fonte próxima às negociações.

O Porto Atlântico é formado por uma torre comercial com 330 salas, uma torre corporativa com 54 unidades (grandes pavimentos para serem ocupados por empresas), 50 lojas e dois hotéis, atualmente operados com as marcas Ibis e Novotel, da companhia francesa Accor, somando 450 quartos.

Na entrega da obra, o conjunto somava R$ 270 milhões em valor de vendas. Integraria um complexo ainda maior da OR no Porto, que acabou reduzido após a crise que se abateu sobre a holding Odebrecht, envolvida na Operação Lava-Jato. O grupo pediu recuperação judicial em junho.

- É uma operação simples, em vias de fechamento. O Bradesco financiou a construção do Porto Atlântico. Então, parte do estoque que ficou do projeto está sendo usada para quitar a dívida com o banco - definiu essa fonte de mercado. 

Na prática, o Bradesco vai ficar com mais da metade do Porto Atlântico, o que inclui 70% da torre corporativa, que tem uma área total de 30 mil metros quadrados, até hoje não ocupada. A operação dos hotéis não será afetada pela transação.

Negociação mais ágil

No mercado imobiliário carioca, a transação, que ainda não foi divulgada oficialmente, já é tida como um alento para a região portuária, cuja revitalização imobiliária ainda não decolou.

- Toda solução encontrada por empresas e negociada com bancos e que permita a retomada de atividades é uma boa notícia - avalia Claudio Hermolin, presidente da Ademi-RJ, que reúne as construtoras no Rio.

A taxa de vacância no mercado de escritórios do Rio chegou a 37,8% no segundo trimestre do ano, à frente dos 36,5% registrados de janeiro a março. No período, o mais alto percentual de imóveis desocupados na cidade foi registrado no Porto Maravilha: 60%, segundo dados da consultoria Newmark Grubb. No entanto, já há melhora em relação a 2018, quando o índice chegou a atingir 75,1% em junho.


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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]