Notícias do setor

Quinto Andar capta R$ 1 bi e mira exterior

Valor Econômico, Taís Hirata, 10/set

A plataforma de aluguel de imóveis Quinto Andar acaba de concluir uma captação de US$ 250 milhões (cerca de R$ 1 bilhão, na cotação atual), que deverá acelerar a expansão do negócio, inclusive para fora do Brasil.

Até o fim de 2018, a empresa já havia feito três captações de investimentos, junto a fundos como a Kaszek Venture, a Qualcomm Ventures e a General Atlantic, levantando R$ 320 milhões. Os aportes já levaram a uma expansão rápida: há um ano, a empresa tinha 350 funcionários. Hoje são cerca de mil, sem contar os corretores.

Agora, o negócio chega a um novo patamar, com a quarta e maior rodada, de R$ 1 bilhão, liderada pelo Soft Bank Group International. A captação também teve participação da Dragoneer e de investidores que já estavam na empresa, como a General Atlantic e a Kaszek. A companhia não informa a participação acionária de cada investidor.

"Um aporte desse tamanho ilustra um novo nível de maturidade da indústria de tecnologia no Brasil", diz Braga, um dos sócios-fundadores. "Não divulgamos o valor de mercado exato da empresa, mas posso dizer que ultrapassamos a marca dos 'unicórnios' [startups que atingem o valor de US$ 1 bilhão]", afirma.

A companhia foi fundada em 2013, em Campinas (SP), pelos sócios Gabriel Braga e André Penha. A plataforma ficou conhecida por não exigir garantias dos inquilinos - como fiador, seguro-fiança ou caução - e por fazer os pagamentos do aluguel aos proprietários mesmo em caso de inadimplência.  O modelo é possível devido a um sistema robotizado de análise de risco dos potenciais clientes, mas a empresa não divulga a taxa de inadimplência.

Os recursos deverão ser utilizados em diversas frentes: para ampliar a atuação da plataforma nas regiões do Brasil onde já atua; na diversificação dos produtos oferecidos; e, a partir de 2020, na expansão internacional.

"Em algum momento do ano que vem queremos colocar o pé fora do Brasil", afirma o sócio. Ainda não há definição de quais países serão os primeiros, mas o alvo são locais em que o mercado de aluguel seja fragmentado, como o brasileiro. A América Latina é uma região em estudo.

A expansão dentro do Brasil deverá prosseguir, mas apenas dentro das regiões metropolitanas onde a companhia já atua - hoje a operação abrange 25 das principais cidades no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Ainda não há previsão de quando a plataforma chegará ao Norte e Nordeste do país.

A  avaliação é que há muito espaço para crescer, tanto entre os imóveis oferecidos por plataformas concorrentes, como por novos imóveis que possam ser construídos e alugados. O negócio parte da projeção de que o mercado de aluguel de imóveis passará por uma transformação, tal como a ocorrida nos setores de transportes e hotelaria.

"As novas gerações se mudam com mais frequência, trocam de emprego e querem ir morar perto. Esse comportamento novo é mais compatível com o aluguel do que com a compra. O problema é que o processo de aluguel é demorado, a qualidade dos imóveis é ruim. Nossa aposta é que se o mercado melhorar, a porcentagem de pessoas que alugam vai aumentar", afirma André Penha, cofundador do negócio.

m relação aos novos produtos que poderão ser oferecidos pelo Quinto Andar, Braga diz que ainda não pode dar muitas informações, mas cita como exemplo um serviço lançado recentemente. Nele, a companhia ajuda os proprietários a reformar e valorizar seus imóveis antes que eles entrem na plataforma. Esse apoio pode ser feito por meio de consultoria, pela indicação de parceiros para executar os serviços ou até mesmo com o financiamento das obras - que pode ser pago futuramente, com o valor dos alugueis, por exemplo.

Em relação à possibilidade de a companhia passar a trabalhar com a venda de imóveis, Penha diz que é "um assunto que sempre volta, mas que está sendo avaliado cautelosamente".

Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]