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Concluir estação de metrô na Gávea é decisão mais sensata

O Globo, Editorial, 13/set

Desde que foi licitada, em 1998, a Linha 4 do metrô, ligando a Zona Sul à Barra da Tijuca, foi marcada por polêmicas. Originalmente, partiria de Botafogo e passaria por Humaitá e Jardim Botânico. Seria feita por meio de uma PPP, em que o estado bancaria metade da obra. Nesse formato, nunca saiu do papel. Mais de uma década depois, quando o Rio ganhou o direito de sediara Olimpíada de 2016, o projeto ressurgiu com força.

Os Jogos serviram para catapultar o projeto, mas foram pretexto também para decisões apressadas e polêmicas. A obra não foi licitada, sob alegação de que o processo fora feito em 1998. Mas o trajeto mudou - passou ater início na Praça General Osório, em Ipanema -, oque, segundo o Ministério Público, aumentou consideravelmente o custo. Depois de inúmeros contratempos, entre eles agrave crise financeira do estado, a Linha 4 foi inaugurada às vésperas da Olimpíada, em agosto de 2016. Mas a Estação Gávea ficou pelo caminho.

Endividado, coma arrecadação em queda e as contas no vermelho, o estado não pôde contrair empréstimos para concluir a obra, e o jeito foi paralisá-la.

Mas, mesmo parada, a obra gera tensões, à medida que pode pôr em risco a estabilidade dos prédios vizinhos, entre eles o da PUC. Atualmente, a estação está inundada para evitar maiores problemas, mas trata-se de solução provisória. O governador Wilson Witzel propôs aterrar o buraco até que o projeto possa ser retomado. Mas acabou gerando nova polêmica. A operação custaria cerca de R$ 30 milhões e significaria soterrar quase R$ 1 bilhão que já foi gasto naquele trecho. Para moradores da região, dificultaria ainda mais a conclusão da estação.

Uma alternativa que se discute agora é usar R$ 1 bilhão de delatores da Lava-Jato para concluir a obra. A proposta foi feita pelo Ministério Público Federal ao estado e à União, que teriam de concordarem dividir os recursos. O governador Wilson Witzel já deu sinal verde. Falta o aval da União.

De fato, esta é a decisão mais sensata. Primeiro, porque permitiria a conclusão de obra importante para a região e o sistema de transporte do Rio. Segundo, porque seria uma compensação à sociedade, vítima de uma quadrilha que saqueou o estado - o Ministério Público apontou sobrepreço de cerca de R$ 3 bilhões na construção da Linha 4, obra mais cara da Rio-2016 (R$ 10 bilhões).

Aterrara estação resolve parte do problema, o da estabilização, mas, uma vez consumada, certamente tornará mais distante a conclusão da obra. E não se pode esquecer de que há dinheiro público enterrado ali. Portanto, o melhor afaze ré prosseguir com o projeto, para que ele beneficie a população. E não se transforme em mais um monumento à incúria.

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