Notícias do setor

Captação das cadernetas decepciona

O Estado de S. Paulo, Editorial Econômico, 15/set

A captação líquida pouco superior a R$ 1 bilhão das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) em agosto mostra não só as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores para constituir ou preservar suas reservas financeiras, como a necessidade de obter outras fontes de recursos para assegurar a expansão futura do crédito imobiliário. No âmbito do SBPE, há nítida alta de financiamentos à moradia neste ano.

As cadernetas e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) são as principais fontes de recursos do crédito imobiliário, mas, nos dois casos, há pressões de saque - no FGTS, por causa das liberações a depositantes, que já começaram a ocorrer.

Nos primeiros oito meses de 2019, houve saída líquida de recursos das cadernetas do SBPE de quase R$ 12 bilhões, montante que se aproxima dos R$ 14,8 bilhões quando incluída a poupança rural, captada, em especial, pelo Banco do Brasil. Em igual período de 2018, houve entrada líquida de recursos nas cadernetas do SBPE de quase R$ 9 bilhões.

Em agosto de 2018, a captação líquida no SBPE foi de R$ 4,4 bilhões, quatro vezes maior que a de agosto de 2019. Em 2017, quando a economia mal saía da recessão, houve entradas líquidas de R$ 1,6 bilhão.

A oferta de crédito no SBPE não se alterou. Nos primeiros sete meses de 2019, foram aplicados R$ 40,4 bilhões na aquisição e na construção de imóveis com recursos das cadernetas, 33,8% mais do que em igual período de 2018, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

A demanda por imóveis cresce com mais força no Município de São Paulo. A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) informou que o lançamento de 16,3 mil imóveis em junho pelas empresas associadas marcou o segundo melhor resultado mensal da história. Ainda é elevado o peso dos imóveis populares objeto do programa Minha Casa Minha Vida, mas a procura também aumenta nas faixas média e alta.

Uma retomada mais vigorosa do mercado imobiliário exigirá vultosos recursos. Por ora, os saldos das cadernetas continuam crescendo graças à remuneração, mas os bancos já promovem ofertas privadas de Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs). As ofertas públicas de LIGs dependem de regulação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]