ADEMI na Imprensa

Prefeitura tem proposta para aumentar gabarito no Joá

O Globo, Luiz Ernesto Magalhães, 01/out

A prefeitura quer autorizar a construção de prédios de quatro pavimentos (incluindo a cobertura) no costão rochoso do Joá, próximo à Praia do Pepino, em São Conrado. A proposta já foi apresentada pela Secretaria de Urbanismo ao Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur), órgão consultivo integrado por representantes da sociedade civil. A ideia é também fazer mudanças no gabarito das principais vias do bairro. O projeto depende de aprovação da Câmara Municipal.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO apontam que a medida provocaria impacto urbanístico ao aumentar o adensamento na região. Haveria ainda uma questão ambiental, já que o bairro fica na área de influência da Pedra da Gávea, monumento natural protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As regras em vigor só permitem a construção de casas de até três andares naquele trecho do Joá. Além de unidades residenciais, a minuta discutida no Compur deixou em aberto a possibilidade dos prédios terem uso comercial.

Essas propostas serão apresentadas em uma audiência pública na próxima quinta-feira no Clube Costa Brava, às 19h. Na reunião, moradores de São Conrado e do Joá pretendem entregar um abaixo-assinado com críticas aos projetos. Eles vão pedir a suspensão da tramitação das mudanças enquanto não forem apresentados estudos de impactos de vizinhança e ambiental.

Outra audiência pública vai acontecer no próximo dia 10,no Teatro Fashion Mall, para discutir a proposta de liberação de prédios de até 11 andares (incluindo cobertura) no trecho da Avenida Niemeyer entre o Hotel Nacional e o Túnel Zuzu Angel, onde hoje só são permitidas casas. A prefeitura também pretende aumentar o gabarito em alguns terrenos no entorno da Autoestrada Fernando Mac Dowell (Lagoa-Barra).

Para moradores do Joá, o principal efeito colateral das propostas seria o impacto no trânsito, já que a Estrada do Joá, principal acesso ao bairro, é íngreme, cheia de curvas e serve de rota alternativa para chegar à Barra. Essa preocupação também foi demonstrada por técnicos da prefeitura. O projeto apresentado ao Compur destacava que todas as novas unidades deverão ter "estacionamento com número adequado de vagas".

- A questão é o adensamento. Pela proposta, poderemos ter várias famílias morando no terreno onde hoje só pode ter uma casa. Se a lei for aprovada, todos os terrenos valerão muito mais. Será uma corrida maluca das construtoras para comprar. Em pouco tempo, não sobrará mais uma única casa ali - criticou a arquiteta Rose Compans, consultora de urbanismo da Federação das Associações de Moradores do Rio (FAM-Rio).

O mercado imobiliário já começou a se movimentar. No último domingo, num site especializado, o anúncio de uma casa de 160 metros quadrados ressaltava a possibilidade de o imóvel ser ampliado em mais de quatro vezes devido às mudanças de zoneamento. Para o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Claudio Hermolim, a proposta permitirá uma melhor ocupação do Joá:

- Existe demanda por lugares com vista privilegiada. Mas é difícil viver em casa devido à insegurança e aos custos de manutenção. Apartamentos têm um preço mais acessível.

Em nota, a prefeitura informou que as propostas para o bairro ainda estão em discussão e atendem a uma demanda da população, devido à existência de casas abandonadas no bairro.


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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]