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Caixa reduz juros de crédito imobiliário

O Globo, Geralda Doca e Pollyanna Brêtas, 09/out

Após bancos privados diminuírem os juros do crédito imobiliário, a Caixa anunciou a redução de suas taxas, sendo que a menor delas passou de 8,5% para 7,5% ao ano. Segundo estudo, cada ponto percentual de corte tem potencial para incluir 800 mil famílias no financiamento da casa própria.

Dias depois de bancos privados, como Bradesco e Itaú Unibanco, terem diminuído os juros do crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal também anunciou ontem redução em suas taxas. A menor taxa praticada pelo banco, que detém 69% do mercado, passou de 8,5% para 7,5% ao ano, e a maior, de 9,75% para 9,5% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR). Estudo de Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da Construção da FGV, mostra que cada ponto percentual de corte nos juros imobiliários tem potencial para incluir até 800 mil famílias no financiamento da casa própria. Especialistas destacam, no entanto, que a recuperação do mercado imobiliário depende da retomada mais consistente da economia brasileira, especialmente de indicadores de emprego e renda.

- Indiscutivelmente, aqueda nos juros tem potencial para inserir mais famílias no mercado de crédito, mas elas precisam se sentir seguras para se comprometer com financiamentos de longo prazo. Há muitas questões em discussão, como as próprias exigências dos bancos e o direcionamento de recursos para famílias de mais baixa renda pleitearem o crédito - comenta Ana Maria, que, em seu cálculo, levou em consideração o rendimento da população de acordo com pesquisa do IBGE de 2017 e a renda mínima exigida para financiar 80% de um imóvel no valor de R $400 mil.

As novas taxas da Caixa entram em vigor na segunda-feira e valem para novos contratos. Serão beneficiados contratos enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com recursos da poupança para imóveis até R$ 1,5 milhão, e no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) - dentro do modelo tradicional, corrigido pela TR, hoje zerada.

Bradesco e Itaú reduziram suas taxas para 7,3% e 7,45% ao ano mais TR, respectivamente. O Banco do Brasil pratica taxas mínimas a partir de 7,99% ao ano mais TR, para financiamento em 35 anos. Já o Santander oferece taxas mínimas de 7,99%.

O movimento, dizem os bancos, foi possível devido ao novo cenário de juros baixos. A taxa básica de juros, a Selic, está em seu menor patamar histórico: 5,5% ao ano.

- Essa é uma reação à redução consistente da taxa de juros. Nós reagiremos a qualquer movimento do Banco Central (BC). Se o BC continuar baixando os juros, nós seguiremos essa direção - afirmou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Segundo uma simulação da Caixa, em um financiamento de R$ 300 mil, com prazo de pagamento de 30 anos, por exemplo, o valor da prestação cairá R$ 232,97 com a taxa mais baixa, saindo de R$ 2.879,78 para R$ 2.646,81.

O consultor José Urbano Duarte diz que corte nos juros é sempre inclusivo. No mesmo financiamento de R$ 300 mil, destaca ele, a redução de um ponto percentual equivale, em média, a uma renda 10% menor. Ou seja, comum a taxa de 8%, é necessário ter renda mensal de R$ 7.100; com 7%, cai para R$ 6.450.

Em agosto, a Caixa lançou a modalidade indexada à inflação. Por ela, a taxa mínima é de 2,95% ao ano, e a máxima, de 4,95%, mais o índice de preços. Estes percentuais não serão alterados nos próximos seis meses, segundo Guimarães, porque a linha é recente e ainda está sendo avaliada.

PRINCÍPIO DE RECUPERAÇÃO

O movimento de redução dos juros pelos bancos já começou ase refletir na expansão do crédito. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume concedido chegou a R$ 47,1 bilhões, de janeiro a agosto deste ano, 31,4% maior do que o registrado no mesmo período de 2018. Felipe Pontual, diretor executivo da Abecip, lembra que os juros futuros são os indicadores observados pelo mercado imobiliário para projetar as taxas do setor. Em dezembro de 2017, os juros futuros, em dez anos, estavam em 10,9%. Em setembro deste ano, a taxa ficou em 7,2%. 

A projeção de cinco anos, que em 2017 estava em 10,2%, fechou o mês passado em 6,5%.

- A contratação de crédito imobiliário está indo melhor do que o esperado, com crescimento acelerado. O clima está mais favorável com perspectiva de controle das contas públicas, inflação sob controle e aprovação da reforma da Previdência - diz Pontual.

No Rio de Janeiro, o volume de negócios fechados ensaia uma reação do setor. Pesquisa do Secovi Rio registrou crescimento de 13% no número de imóveis negociados na cidade entre janeiro e agosto de 2019, na comparação com mesmo período do ano passado. O total de imóveis negociados chegou a 30.698 este ano, contra 27.272 nos oito primeiros meses de 2018. Há dois anos, o número de fechamento de contratos, neste período, não passou de 21.517.

- Hoje, o preço dos imóveis no mercado passa por uma estabilidade. Para o setor, este indicador demonstra que a demanda está voltando e reaquecendo o mercado, ainda que numa velocidade reduzida - observa Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi.

Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac), avalia que o impacto da queda dos juros terá efeitos limitados a curto prazo:

A compra do imóvel leva em conta orçamento das famílias, manutenção de emprego, composição de renda. E o endividamento das famílias está muito alto.

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