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Santander vê crescimento de 10% do crédito até 2022

Valor Econômico, Flávia Furlan e Sérgio Tauhata, 09/out

O Santander divulgou ontem pela primeira vez no Brasil metas de resultados ("guidance") para os próximos três anos, com manutenção do ritmo de crescimento da carteira de crédito e do patamar de rentabilidade. "Nosso guidance considera que o Brasil cresce, com juros baixos e inflação baixa", disse Sergio Rial, presidente do banco. "Mas num contexto mais competitivo do ponto de vista estrutural."

A carteira de crédito deve avançar a uma taxa média anual acima de 10% até 2022, segundo dados divulgados após o fechamento do mercado. No primeiro semestre, o estoque somava R$ 317,625 bilhões, alta de 9,3% em 12 meses. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE), por sua vez, deve ficar em torno de 21%, praticamente o resultado do primeiro semestre, de 21,3%. A eficiência será de 38% em 2022, em comparação a 39,4% em junho.

O executivo afirmou que a rentabilidade pode ser impactada por um maior volume dos negócios, pela melhora da eficiência e pelo lado do custo de captação. Ele vê possibilidade de flexibilização de regras sobre poupança e compulsório, as quais, disse ele, não fazem mais sentido num país no patamar de inflação e juros do Brasil. "Tudo isso vai ser desconstruído e gera potencialmente liberação de crédito adicional", disse.

Analistas consideraram o guidance do banco para carteira de crédito conservador, tendo em vista o processo de retomada da economia. Já para o ROE, no entanto, disseram ser desafiador. "É agressiva a projeção de manter o patamar atual, em um mercado com maior competição", diz Carlos Daltozo, da Eleven Financial Research.

Rial afirmou que a realidade do juro baixo deve permanecer no longo prazo, uma vez que a Selic está em 5,5% ao ano, mínimo histórico. "Acabou o período no Brasil das grandes alavancagens. Passamos de trading para ser banco de cliente, isso traz uma chance de gerar valor."

A contribuição dos clientes para o lucro antes de impostos subiu de 56% em 2015 para 91% nos sete primeiros meses deste ano. Já atividades como tesouraria caíram de uma participação de 44% para 9%. Uma das carteiras de crédito que tem mais crescido para o banco é a de consignado. Há cinco anos, o banco não tinha exposição na modalidade, mas deve alcançar R$ 40 bilhões neste ano. Para o futuro, Rial aposta em imobiliário e automóveis.

Em relação à concorrência, Rial afirmou que, com a redução dos subsídios, bancos públicos começam a competir de igual para igual com os privados. "Todos vão competir de forma igualitária, e as assimetrias vão diminuir."

A regulamentação, disse o executivo, será outra fonte de promoção da concorrência. No entanto, frente às novas plataformas financeiras que surgem com a inovação, ele diz que "a arte de crescer ganhando dinheiro é conhecida por poucos."

No mercado de cartões, em que a competição tem sido evidente, o objetivo é alcançar uma participação de 14% a 15% até o final do ano, posicionando-se como o segundo maior em emissões de plásticos no país. Na adquirência, atividade responsável pela captura de transações, a ideia é alcançar a venda de 1 milhão de maquininhas a pessoas físicas até o primeiro semestre de 2020.

Pedro Coutinho, presidente da Getnet, disse que vai disponibilizar um aplicativo para quem não trabalha com nenhum adquirente poder usar a rede da credenciadora do Santander para receber pagamentos. Segundo o executivo, por meio do GetPay e do aplicativo Santander Way é possível usar um QR Code para pagar e receber compras. "O GetPay é uma oportunidade para aquele cliente que não tem adquirência, que não tem maquininha, poder transacionar com a Getnet sem comprar a maquininha", disse.

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