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Cyrela e Gafisa melhoram resultados

Valor Econômico, Chiara Quintão, 08/nov

Cyrela e Gafisa divulgaram, ontem, melhora dos respectivos resultados líquidos, do terceiro trimestre, enquanto Tenda apresentou lucro líquido em linha com o do mesmo período do ano passado. Cyrela reverteu prejuízo em lucro, enquanto Gafisa reduziu sua perda. Das três incorporadoras que apresentaram balanço, apenas Tenda consumiu caixa.

A Cyrela registrou, em seu balanço, impacto positivo de R$ 24 milhões de sua participação no resultado da Cury. Houve efeito positivo de R$ 22 milhões decorrente de ganhos com a valorização de ações da Cyrela Commercial Properties (CCP) e da venda de cotas de Sociedades de Propósito Específico (SPEs) para o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB).

Por outro lado, a incorporadora teve impacto negativo de R$ 29 milhões de contingências judiciais. "Ainda teremos um pouco do efeito das contingências, mas a tendência geral é de queda dessa linha", afirma o diretor financeiro, Miguel Mickelberg.

No trimestre, a Cyrela teve lucro líquido de R$ 104 milhões. A receita líquida cresceu 28,9%, para R$ 934,7 milhões. A margem bruta passou de 28,3% para 30,9%. A companhia gerou caixa de R$ 78 milhões, no trimestre, e de R$ 424 milhões no acumulado de janeiro a setembro.

A Cyrela está otimista com o mercado imobiliário, segundo o diretor financeiro. "Temos um volume bom de lançamentos para fazer em todos os segmentos e regionais de atuação", diz Mickelberg. O Valor Geral de Vendas (VGV) lançado pela incorporadora deve superar, em 2019, o patamar de R$ 4 bilhões com o qual busca atuar. A companhia não projeta elevar lançamentos em 2020 em relação aos deste ano.

A Cyrela vai elevar seus dividendos nos próximos anos para reduzir patrimônio líquido para R$ 4 bilhões. Com o lucro do terceiro trimestre, o patrimônio passou a ser de R$ 5,1 bilhões.

Já a Gafisa não fez lançamentos, em 2019, e pretende voltar a apresentar projetos no próximo ano. A reversão do resultado da companhia ocorrerá a partir da retomada de lançamentos, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, André Ackermann, mas o executivo não informou para quando é esperado lucro. "A tendência é de redução de prejuízos", diz Ackermann.

No terceiro trimestre, a Gafisa reduziu seu prejuízo em 93,6%, para R$ 1,668 milhão. A receita líquida caiu 62,4%, para R$ 89,2 milhões, como consequência da queda de 78% das vendas líquidas, para R$ 29,8 milhões. A retomada de obras e a consequente contabilização desse avanço na receita evitou que a retração do indicador fosse maior. A Gafisa elevou a margem bruta dos 25,2% para 42,7%, o que foi possível devido à economia decorrente da conclusão de obras.

As despesas da Gafisa com vendas caíram 89,5%, e as gerais e administrativas tiveram queda de 43,1%. Por um lado, a empresa vem tendo acréscimos de gastos com consultorias que assessoram suas operações, mas, por outro, tem diminuído seu quadro de pessoal. No encerramento do período, a incorporadora tinha 180 funcionários, ante 358 no fim de 2018 e 750 na conclusão do terceiro trimestre do ano passado.

O resultado operacional da Gafisa, que tinha sido negativo em R$ 7 milhões, ficou positivo de R$ 20,5 milhões. A empresa não fez provisões para contingências. "Estamos fazendo avaliação detalhada e se nosso nível de provisionamento é conservador. A princípio, parece que não", diz Ackermann. De julho a setembro de 2018, as despesas com demandas judiciais somaram R$ 17,2 milhões.

A Gafisa gerou caixa de R$ 24,4 milhões, no trimestre, sem considerar o efeito de R$ 206,9 milhões da segunda tranche do aumento de capital. A entrada desses recursos possibilitou que a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido caísse dos 102,2%, no fim de junho, para 45,6% no encerramento de setembro. Em outubro, o indicador passou a ser de 37% com o ingresso de R$ 65,8 milhões da subscrição adicional de sobras.

Da dívida total de R$ 750,8 milhões registrada no fim de setembro, 34,6% vencem neste ano. "As conversas com os bancos estão evoluindo muito bem. Nossa percepção é que estão mais preocupados com estrutura de capital do que com o operacional da companhia", diz Ackermann.

A Tenda registrou lucro líquido de R$ 64,6 milhões, no trimestre, com leve alta de 0,3% na comparação anual. A receita líquida cresceu 10,2%, para R$ 508,5 milhões, e a margem bruta passou de 33,6% para 33%. As despesas operacionais aumentaram 14,7%, para R$ 96,5 milhões.

A Tenda consumiu caixa de R$ 40,8 milhões, como reflexo da suspensão dos repasses dos recebíveis de clientes das faixas 1,5 e 2 do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, no trimestre, com regularização apenas em meados de setembro. A Tenda fechou o trimestre com caixa líquido de R$ 231,5 milhões.

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