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Com trajetória comportada, IPCA sobe 2,54% em 12 meses

Valor Econômico, Ana Conceição e Gabriel Vasconcellos, 08/nov

A inflação ficou um pouco acima do esperado em outubro, mas nada que comprometa a trajetória bem comportada em 2019, quando deve fechar bem abaixo da meta de 4,25%. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,10% no mês passado, após cair 0,04% em setembro. É a menor taxa para o mês desde 1998, quando foi de 0,02%.

Assim, o IPCA completou seis meses de variações muito baixas. No acumulado em 12 meses, a alta passou de 2,89% em setembro para 2,54% em outubro, nível inferior ao piso da banda de tolerância da meta deste ano, de 2,75%. É a taxa mais baixa desde agosto de 2017, quando marcou 2,46% nessa base de comparação. Naquele ano, a inflação subiu 2,95%. As estimativas são de que no fechamento de 2019 o IPCA fique em torno de 3,5%.

Segundo o IBGE, a queda no preço da energia foi o principal item que ajudou a frear a inflação em outubro, ao tirar 0,13 ponto percentual do IPCA. Na outra ponta, pressionado pela alta da gasolina o grupo transportes acrescentou 0,08 ponto ao índice.

Variações maiores que as esperadas em alimentação no domicílio - que apesar disso teve o sexto mês de deflação - e vestuário explicam uma taxa mais alta que as expectativas no IPCA de outubro, que de resto veio baixo, sem grandes novidades, afirma a economista Julia Passabom, do Itaú Unibanco. A instituição esperava alta de 0,06% no índice, que subiu 0,10%. A projeção mediana do mercado era de 0,07%.

Enquanto a volatilidade habitual dos preços dos alimentos pode exagerar a magnitude das variações mês a mês, no caso do vestuário, há indícios do que pode ser um novo padrão sazonal, observa a economista. Os preços subiriam em antecipação à Black Friday, que ocorre em novembro. Mas ainda é um movimento que precisa ser mais bem definido, afirma ele.

No geral, a inflação segue tranquila, com a média de núcleos em 12 meses rodando entre 2,8% e 3% e as medidas de serviços abaixo do padrão sazonal. Os núcleos buscam eliminar ou reduzir a influência dos itens mais voláteis.

"A economia continua com muita capacidade ociosa, uma taxa de desemprego muito grande", observa. O Itaú prevê IPCA de 3,3% neste ano.

Na avaliação do Banco Fator, considerando o acumulado em 12 meses, preços administrados e núcleos estão nos níveis mais baixos desde 2012 e 2014, respectivamente. Da mesma forma, os preços dos serviços estão rodando a 3,5%, e os dos produtos industriais, em torno de 1% no mesmo período. "Ambos são sensíveis à demanda, e o segundo, ao câmbio. Tais preços nunca atingiram esses níveis na série iniciada em 2012." Assim, apesar de mais alto, o resultado de outubro não altera de maneira relevante o cenário para a inflação, diz o Fator, que estima IPCA de 3,4% em 2019.

Depois de oscilar em níveis muito baixos nas últimas leituras, o IPCA deve terminar o ano numa faixa mensal entre 0,35% a 0,45%, pressionado especialmente pela energia elétrica e por hortifrutigranjeiros, geralmente mais caros nesta época do ano. O que não deve mudar a expectativa de uma inflação acumulada em torno dos 3,3% em 2019, afirma Flavio Serrano, economista-chefe do banco Haitong.

"O IPCA deve acelerar em novembro e dezembro por razões pontuais, como a energia elétrica, mas a inflação segue muito comportada. Não muda sua dinâmica", afirma.

Novamente, a conta de luz deve ser o destaque, mas desta vez para cima. Em novembro, a tarifa voltou à bandeira vermelha 1 e, além disso, houve reajuste do valor da bandeira, de R$ 4 para R$ 4,169 a cada 100 kWh consumidos. O gerente da pesquisa do IPCA, Pedro Kislanov, observou que o índice de novembro também será influenciado pela alta de 3% no preço do óleo diesel nas refinarias.

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