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Nova onda de verticalização do Itaim muda pontos tradicionais de bairro

Folha de São Paulo, Angela Pinho, 08/nov

Nem só de restaurantes badalados, trânsito e patinetes vive o Itaim Bibi, na zona oeste de São Paulo. Canteiros de obras e estandes imobiliários voltaram a pipocar pelo bairro após dois anos de estagnação no mercado.

De 2014 para 2015, com a crise, o número de novas unidades residenciais na área despencou 68%, segundo dados compilados pelo Secovi-SP (sindicato da habitação). No ano seguinte, os lançamentos seguiram em queda, junto com a economia do país.

Em 2018, porém, o número de novas unidades voltou a crescer, a uma taxa de 114% a mais em relação a 2017, o que significou mais 1.026 apartamentos na região. No restante da cidade, também houve crescimento, mas a índice mais modesto, de 17%.

Os novos empreendimentos da região incluem hotel de luxo, prédio de autor consagrado e até cápsulas de dois metros quadrados para pessoas em busca de pernoite. Eles atingem pontos tradicionais do bairro.
Depois de mais de 30 anos na avenida Nove de Julho, o restaurante América, por exemplo, dará um lugar a um edifício projetado pelo premiado arquiteto Isay Weinfeld.

O projeto é da construtora Idea!Zarvos, que tem um portfólio de arquitetos renomados em bairros como a Vila Madalena e chega ao Itaim pela primeira vez com dois empreendimentos.

Na rua Joaquim Floriano, a loja da Kopenhagen que remete ao local onde os chocolates da marca começaram a ser fabricados nos anos 1920 fará parte de um novo prédio, que passará por retrofit. A construtora Vitacon promete manter o ponto comercial "por respeito à história da cidade".

A empresa é responsável também por um inusitado empreendimento que ficará na região entre o bairro e a Vila Olímpia, perto da avenida Juscelino Kubitschek.

Trata-se de ambientes de apenas dois metros quadrados, chamados de cápsulas. Inspiradas em experiências do Japão e da Califórnia, elas serão alugadas por hora ou pernoite e oferecem basicamente uma cama grande e um kit de higiene, com uma área comum de uso coletivo.

Segundo o CEO da incorporadora, Alexandre Frankel, o público-alvo inclui frequentadores de baladas do entorno, funcionários de bancos de investimento que trabalham até mais tarde, pessoas à espera de conexões de voos e outras.

Para ele, a região do Itaim sempre despertará o interesse do mercado imobiliário pela proximidade de serviços e restaurantes.

Por outro lado, tem menor autorização para prédios grandes e, por já ser muito adensada, traz uma dificuldade adicional para o setor: a escassez de terrenos vazios.

Para erguer um complexo com prédio residencial, hotel e restaurante, todos do Fasano, com previsão de entrega em 2022, a construtora Even comprou e demoliu quase 30 casas no quarteirão delimitado pelas ruas Pedroso Alvarenga e Galeno de Revoredo.

As aquisições ocorreram ao longo de três anos, de 2015 a 2017. "Tivemos uma oportunidade muito boa e, em um momento de baixa do mercado, conseguimos", diz Marcelo Dzik, diretor comercial e de clientes da construtora.

As unidades da torre residencial já foram quase todas vendidas, segundo ele. A maior parte, para pessoas que já moram no bairro, mas há também gente de fora da cidade e até do país entre os novos proprietários.

Os principais atrativos da localização, afirma Dzik, são a infraestrutura, a proximidade com escritórios como os da Faria Lima e Berrini e, no caso do empreendimento, a vista para a área verde dos Jardins.

Por outro lado, a chegada de novos prédios tem também seu custo, diz a urbanista Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo, e no Itaim o mais imediato deverá recair sobre o trânsito e a qualidade do ar.

"Vai chegar mais gente, mas os espaços urbanos vão ser os mesmos, e o sistema viário também. A cidade vai pagar por isso", diz.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]