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Imóveis em Portugal se adaptam aos brasileiros

O Globo online, Gian Amato, 30/11

As fortunas dos brasileiros em Portugal atraem bancos internacionais para Lisboa e introduzem novidades no mercado imobiliário. Nos primeiros nove meses deste ano, 176 Os investidores do Brasil transferiram € 132,6 milhões (R$ 617,6 milhões) para a aquisição de vistos gold, um aumento de 46,5% em relação ao mesmo período de 2018. Esta operação está ligada à compra de imóveis de alto padrão, a partir de € 500 mil (R$ 2,32 milhões), mínimo para concessão de residência nesta modalidade.

A chegada dos brasileiros ricos obrigou as construtoras e imobiliárias de luxo a se adaptarem para atender aos pedidos de criação de dependências de empregados domésticos, suítes em todos os quartos, com instalação de duchas higiênicas, e áreas de serviço com tanques.

Na liderança do Grupo André Jordan, o empresário luso-brasileiro Gilberto Jordan comanda projetos milionários e fechou acordo com a gestora de fundos Oaktree Capital Management. Receberá um investimento de mais de € 500 milhões para ampliação do Belas Clube de Campo, no Parque Florestal da Serra da Carregueira, em Oeiras, nos arredores de Lisboa.

Nesta nova fase, chamada Lisbon Green Valley, brasileiros compraram 45% das unidades, em um total investido de € 98 milhões (R$ 456 milhões). Em sites de venda, o imóvel mais barato era anunciado há algumas semanas por € 445 mil (R$ 2,07 milhões). O local lembra um condomínio da Barra da Tijuca, com campo de golfe, quadra de tênis, academia, ciclovia, centro esportivo, restaurante, mercado, cabeleireiro, escolas e vigilância 24 horas. Jordan se antecipou às possíveis demandas.

- Estamos atentos ao brasileiro e, em uma unidade com três suítes, uma pode ser para o empregado doméstico, o que não é comum em Portugal. Vimos que valia a pena arriscar e já fizemos todos os quartos com suíte, uma particularidade dos brasileiros. Também incorporamos utilitários de higiene, como ducha e bidê, e o tanque - afirmou Jordan, diretor executivo da empresa.

O empresário fez uma turnê por Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador para apresentar seus projetos e esclarecer trâmites fiscais de transferência de residência, processo de vistos gold e formas de pagamento. Em cada cidade, cerca de 120 brasileiros mostraram interesse em seus imóveis.

A advogada carioca Rejane Bastos vendeu um apartamento de dois quartos no Jardim Oceânico, na Barra, e comprou um de três quartos no Belas, investindo uma diferença que afirmou não ter sido alta. Ela conta que o custo do condomínio de luxo em Portugal é de € 400 (R$ 1.863), enquanto um no Rio de padrão semelhante é de R$ 6 mil mensais. E diz achar um absurdo manter a cultura da empregada doméstica em Portugal.

- O brasileiro está mal-acostumado a ter empregada e não fazer serviços básicos da casa. Tanto que já há em Lisboa serviços de faxina que podem ser contratados por telefone. Eu, aqui, só senti falta da ducha higiênica, que o português não usa. Mandei adaptar - disse Rejane, que divide o apartamento com o filho, o DJ Fernando de Sá.

Paulistas são maioria

Presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (Apemip), Luís Lima informou que os paulistas são responsáveis por 50% dos imóveis adquiridos por brasileiros em Portugal. Nem todos conseguem comprar na planta, mas fazem alterações depois, seja para morar ou usar como investimento, destinando o imóvel para locação por temporada.

- Os brasileiros estão mais habituados que os portugueses a áreas de serviço equipadas e dependências de empregados. E preferem condomínios com segurança e serviços comerciais - observa Lima.

Outra característica do brasileiro é conhecer melhor Portugal que outros investidores de fora da Europa, o que amplia a possibilidade de negócios. Um estudo da Luxury State revelou que o capital individual disponível dos brasileiros para investimento é de € 1,85 milhão.

- Eles não ficam limitados a Porto e Lisboa e procuram imóveis em Braga, Amarante, Aveiro, no Algarve e em outras cidades com as quais têm ligação familiar - explicou Lima.

No primeiro semestre deste ano, os brasileiros compraram tantos imóveis em Portugal quanto os britânicos (18% cada). Estão atrás somente dos franceses, com 21%. Em 2018, os brasileiros eram apenas os quintos da lista, com 4,9%.

- O número de brasileiros aumentou e pode ser ainda maior, porque há compradores com nacionalidade portuguesa, e não conseguimos saber a origem - explicou Lima.

Com tanto volume de investimento brasileiro, bancos internacionais e do Brasil abriram ou planejam inaugurar sedes em Portugal. Um deles é o suíço EFG International, com escritório em Lisboa e projeto de expansão para o Porto para gerir € 1,4 bilhões. Entre os motivos que levaram o banco a Portugal, citados pelo diretor executivo Giorgio Prandelli, está a ligação com o Brasil.

- Portugal tem vantagens adicionais. Os nossos colegas em Miami viram que o mercado ia começar a ser muito atrativo para o Brasil - disse Prandelli ao "Jornal de Negócios".
Este ano, os brasileiros XP Investimentos e BTG Pactual anunciaram a abertura de escritórios em Portugal para atender milionários brasileiros. A Bloomberg publicou em outubro que Itaú Unibanco e Bradesco também estudam inaugurar filiais para gestão de fortunas no país.

Os vistos gold foram criados em 2012 em Portugal para atrair investimentos de fora da Europa. Os brasileiros são a segunda nacionalidade com mais atribuições (829), atrás dos chineses, com 4.396. Nesses nove meses, no entanto, o volume de investimento chinês caiu 11% (de € 203 milhões para € 180 milhões), enquanto o dos brasileiros subiu de € 93 milhões para € 132,6 milhões.

Portugal captou em sete anos € 4,8 bilhões, sendo € 4,3 bilhões na aquisição de imóveis. Quase 7.500 vistos foram atribuídos nesta modalidade.

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