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Condomínio sem piscina é como carro sem rodas, diz estudo

Folha de São Paulo, Cristiane Teixeira, 01/dez

Nada de lavanderias compartilhadas ou espaços de coworking. Quando se trata dos condomínios-clube de São Paulo, o domínio da área comum ainda cabe aos tradicionais salão de festa e piscina.

As duas áreas de lazer são as opções mais presentes nos prédios do tipo lançados na capital paulista nos últimos quatro anos, segundo levantamento do Grupo Zap.

Entre os 56 empreendimentos anunciados de janeiro de 2015 a setembro de 2019, 53 têm um salão de festas, 50 contam com brinquedoteca e 47 oferecem piscina adulta e salão de jogos.

"Um prédio residencial sem salão de festas e piscina é como um carro sem rodas e motor", afirma o diretor de vendas da incorporadora Helbor, Marcelo Bonanata.

Para evitar que os espaços fiquem vazios ou subutilizados, Bonanata conta que as áreas passaram a ser entregues totalmente equipadas.

"Antes, as áreas comuns eram entregues vazias. Os condôminos divergiam sobre como equipá-las, e o espaço acabava sendo mal utilizado. Nos últimos dez anos, passamos a entregar os espaços já decorados e equipados, para uso imediato."

Outra estratégia é investir em duas ou mais versões de cada item de lazer, a fim de satisfazer todo tipo de morador.

No Passeo Patteo Mogilar, que a Helbor lançou recentemente em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, há quatro piscinas que compõem uma espécie de complexo aquático. Serão dois tanques ao ar livre e outros dois aquecidos e cobertos. A piscina aquecida dos adultos incluirá uma raia de natação de 25 metros.

Tática semelhante adota a Paes & Gregori. "Quando existe espaço, fazemos dois salões de festa. Um para eventos familiares e infantis e outro do tipo lounge, para os amigos verem um jogo de futebol e tomarem uma cerveja", afirma Guilherme Gregori, presidente da construtora.

A lista de amenidades dos empreendimentos da empresa inclui ainda playground e brinquedoteca para as crianças e espaço para os os animais de estimação, ambos feitos sob medida para o perfil de "família margarina" que busca um imóvel nos condomínios-clube.
É o caso, por exemplo, do Ybirá, com apartamentos de 60 e 70 metros quadrados em construção na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.

Quem busca este tipo de empreendimento quer unir lazer e praticidade, garantir que a família tenha segurança e opções de entretenimento sem a preocupação do leva e traz, afirma Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias).

Não à toa, as áreas voltadas ao esporte e recreação ficam cada vez mais diversificadas. O Only Cidade Jardim, recém-lançado pela Exto no Real Parque, zona sul de São Paulo, tem estúdios para a prática de ioga, pilates, dança e artes marciais.

A lista dos espaços mais comuns inclui também opções para diversão em família, como a churrasqueira (presente em 45 dos 53 empreendimentos do período) e o espaço gourmet (em 43). "O brasileiro valoriza os momentos festivos com os amigos e familiares", diz França, da Abrainc.

Já o coworking e a lavanderia coletiva, obrigatórios nos prédios de estúdios, são raridades nos empreendimentos para famílias. O primeiro está em apenas 19 dos condomínios-clube lançados na cidade, e o segundo aparece em 13.

"São espaços relevantes nos projetos voltados aos solteiros, mas para os condomínios-clube, pensados para famílias, o que conta é o lazer", afirma Bonanata, da Helbor.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]