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Avanço do crédito impulsiona lucro do setor bancário

O Globo, João Sorima Neto, 12/fev

O crédito está voltando a ser uma das principais fontes de ganhos dos três principais bancos privados do país. No ano passado, Itaú, Bradesco e Santander lucraram juntos R$ 68,4 bilhões, alta de 14,6% em relação a 2018, e todos tiveram expansão da oferta de crédito na casa de dois dígitos. A expectativa para este ano é de nova expansão forte dos empréstimos.

- Com taxas de juros mais baixas, os bancos privados ganham menos com operações de tesouraria e retomam a oferta de crédito. Isso explica o crescimento da carteira de crédito total em dois dígitos - diz Luiz Miguel Santacreu, analista do setor bancário da Austin Rating, agência de classificação de risco.

No Bradesco, a carteira de crédito cresceu 13,8% em 2019. No Santander, o avanço foi de 11,8%, e o banco estima que ela crescerá mais 10% ao ano até 2022.

AVANÇO DO PIB ACIMA DE 2%

Por enquanto, a ameaça do coronavírus ainda não alterou as previsões desses bancos para o desempenho da economia brasileira. A expectativa deles é de um crescimento acima de 2%, acompanhado de uma redução do desemprego. Por isso, as instituições financeiras apostam que a demanda por crédito manterá a velocidade de expansão também este ano.

- A previsão de PIB é algo que sempre pode mudar. Acompanhamos com atenção a evolução do coronavírus e, por enquanto, podemos ter esperança de que não terá impacto maior sobre a economia brasileira - disse Cândido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, durante divulgação dos resultados do banco ontem. - Mantemos nossa projeção de crescimento do PIB em 2,2% em 2020.

O executivo estima que, este ano, a carteira de crédito do Itaú crescerá entre 10,5% e 13,5%, depois de um avanço de 14% em 2019.

Para João Augusto Salles, economista especializado no setor bancário, os bancos vêm priorizando o crédito a pequenas e médias empresas e os empréstimos pessoais. No Itaú, por exemplo, o crédito às pequenas empresas cresceu 26,6% em 2019.

- O crédito imobiliário e consignado possibilita a fidelização dos clientes, nesse momento mais competitivo. E há aproveitamento de vendas cruzadas e ganho com serviços - afirmou o especialista.

Ele observa que os balanços dos bancos têm se favorecido da estratégia de repassar lentamente para os clientes a queda na taxa básica de juros, a Selic.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]