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A retomada do setor imobiliário, sem euforia

O Estado de S. Paulo, Editorial Econômico, 16/fev

A retomada do mercado imobiliário ficou explícita no balanço anual de lançamentos e de vendas do sindicato da habitação (Secovi-SP) divulgado na quinta-feira passada. O número de unidades oferecidas na capital atingiu 55,5 mil no ano passado, aumento de quase 50% em relação ao de 37,1 mil imóveis lançados em 2018. Quanto à comercialização, esta abrangeu 44,7 mil moradias, correspondendo a 49,5% mais do que no ano anterior.

O ritmo de atividade do setor da construção civil ganha tração em São Paulo, mas o ambiente no setor está longe de ser marcado por euforia, pois a principal meta do mercado imobiliário é até modesta. Trata-se da superação da grave crise enfrentada até 2017. 

Houve, de fato, euforia entre a segunda metade da década passada e o início desta década. Ela foi caracterizada por uma alta muito forte dos preços finais acompanhada da captação de vultosos recursos no mercado de capitais por incorporadoras de imóveis que abriram o capital.

Agora, os preços estão contidos e as empresas são muito mais cuidadosas na comercialização. O Índice Geral do Mercado Imobiliário - Residencial (IGMI-R), da Abecip e da FGV, que tem abrangência nacional e que retrata os empréstimos efetivamente realizados pelos bancos nas principais cidades brasileiras, registrou elevação nominal de 4,1% em 2019, porcentual próximo ao da inflação. Em 2018, o IGMI-R ficou perto de zero, ou seja, na média, o preço dos imóveis não acompanhou nem sequer a inflação.

Os lançamentos de 2019 destinaram-se a atender à demanda, concentrada em imóveis compactos: 66% dos imóveis novos lançados em São Paulo têm área útil de até 45 m². 

Historicamente, esse porcentual é de 25%, notou o presidente do Secovi-SP, Basílio Jafet. Os compradores preferem imóveis localizados em áreas centrais, onde há boa infraestrutura urbana. Como o custo do metro quadrado em regiões consideradas nobres é elevado, os incorporadores optaram por oferecer unidades de área reduzida.

Mais um fator de equilíbrio do mercado está no aumento das negociações com imóveis usados, que propiciam aos vendedores recursos para adquirir unidades novas. A boa liquidez dos usados indica mercado ativo. Se os preços tiverem relativa estabilidade, o mercado imobiliário deverá seguir favorável em 2020.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]