ADEMI na Imprensa

Caixa lança linha de crédito imobiliário com juros fixos

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(O Globo, Geralda Doca, Daniel Gullino e Pollyanna Brêtas, 21/fev)

Em uma ofensiva do governo para estimular a economia, sobretudo a construção civil, a Caixa Econômica Federal lançou ontem o crédito habitacional com juros fixos. Disponível nas agências a partir de hoje, a linha é inédita e permitirá a compra de imóveis novos e usados com prazo de pagamento de 10 anos, 20 anos e 30 anos. A Caixa colocou à disposição da nova modalidade, para começar, R$ 10 bilhões. Dependendo da procura, esse montante pode ser reavaliado.

Ao tomar o empréstimo, o mutuário já saberá de antemão quanto irá pagar de juros até o fim do financiamento. As taxas vão variar entre 8% ao ano e 9,75%, de acordo com o grau de relacionamento do cliente com o banco e a duração do contrato. O tomador poderá comprometer até 30% de sua renda com as prestações e financiar até 80% do valor do imóvel. A linha só vale para contratos novos.

- Teremos algo que realmente vai deixar a população com orgulho, porque vamos permitir que as pessoas tomem empréstimos por 20, 30 anos, sabendo desde o primeiro dia quanto que elas vão pagar -afirmou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

RISCO FICARÁ COM A CAIXA

A nova linha faz parte do movimento iniciado pela Caixa em agosto para diversificar o crédito imobiliário e reduzir o custo para os tomadores, com o lançamento do empréstimo corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado na meta oficial de inflação. Em dezembro, o banco cortou os juros do financiamento atrelado à Taxa Referencial (TR) e, na semana passada, estendeu alinha indexada ao IPCA às construtoras.

Dependendo do desempenho da atividade econômica, os juros da nova linha poderão cair, disse Guimarães, ressaltando que o risco das operações será assumido integralmente pela Caixa.

Na nova modalidade, os consumidores poderão escolher entre sistemas de amortização do empréstimo: tabela Price, em que o valor da prestação é menor no início do contrato e vai subindo ao longo do tempo, e Sistema de Amortização Constante (SAC), em que a mensalidade vai decrescendo. No primeiro caso, o contrato é de até 20 anos e no segundo, de até 30 anos, porque o risco é menor, uma vez que o cliente já começa pagando a dívida principal e os juros.

Segundo simulação da Caixa, um financiamento de R$ 300 mil pela tabela Price teria uma prestação fixa de R$ 2.631,79 por 20 anos. No SAC, a prestação começaria com R$ 2.995,53 caindo para R$ 839,34 no prazo de 30 anos.

Claudio Hermolin, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), considera a medida importante para a retomada do crédito imobiliário, que tem uma recuperação mais lenta, pois o consumidor precisa ter segurança financeira antes de assumir o financiamento de um imóvel.

Professor de Finanças do Insper, Michael Viriato observa que, apesar de os juros da nova modalidade serem maiores que os das outras linhas, o tomador de crédito tem mais segurança, já que não haverá surpresas futuras com variação de indexadores nas prestações:

- A primeira questão é se a prestação cabe no meu bolso. Se você vai tomar um crédito de 20, 30 anos, não saber o que vai pagar no futuro é ruim. Esse é um risco que se corre ao captar o empréstimo indexado ao IPCA.

ESTÍMULO À PORTABILIDADE

Já Johnny Silva Mendes, professor de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), acredita que a nova linha deve estimular a concorrência entre os bancos. Ele lembra que muitos mutuários de outros bancos têm contratos mais antigos, com taxas de juros maiores, então a nova modalidade pode ser atraente para fazer a portabilidade do financiamento:

- É mais uma sinalização ao mercado do que necessariamente uma oportunidade para quem está prestes a concretizar novos contratos.

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, há uma quebra de paradigma:

- Imagina, algum tempo atrás, fazer um financiamento de 20 anos com juros fixos?

Presentes no evento, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, destacam a importância da continuidade das reformas, como a tributária e administrativa, para consolidar o crescimento da economia.

- Nosso histórico de juros e inflação não permitiriam que a gente estivesse aqui fazendo esse lançamento. O programa de reforma começou, mas precisamos continuar - disse Campos Neto.

O presidente da Caixa ainda antecipou que já foi aprovado um novo corte de juros no cheque especial - em novembro, a taxa já havia sido reduzida, de 13,5% para 4,95% ao mês.


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