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Inter está confortável com portfólio de crédito, diz CEO do banco

Valor Econômico online, Álvaro Campos, 20/mai

O CEO do banco Inter, João Vitor Menin, afirmou que a instituição está bastante confortável com seu índice de cobertura, que caiu para 61,9% no primeiro trimestre de 2020. Questionado sobre o assunto em teleconferência com investidores, ele disse que o banco adota o modelo de perdas esperadas e que, se não fossem os efeitos da pandemia de coronavírus, poderia até ter reduzido provisões, já que a perda incorrida está menor do que a esperada.

Mesmo assim, o banco decidiu manter essa provisões, já que, com a crise de coronavírus, ninguém sabe como ficará a condição de pagamento de empresas e famílias.

Menin explicou que o cartão de crédito é a única linha sem garantias que o banco oferece, e que representa 15,4% do total da carteira. No seu balanço, o Inter abre os dados de cobertura apenas por imobiliário (37,6%), empresas (241,6%) e consignado (78,4%).

"Estamos bastante seguros, bastante confortáveis com nosso portfólio de crédito. Se daqui a um ou dois meses acharmos que houve uma deterioração, obviamente que faremos um reforço na provisão, como sempre fizemos", comentou. As provisões ficaram em R$ 50,4 milhões no primeiro trimestre, com alta de 15,6% em três meses e de 125,9% em um ano.

Em termos de capital regulatório, Menin disse que há muita folga e que seria preciso triplicar ou quadruplicar a carteira em um curto espaço de tempo para que houvesse alguma pressão, "o que obviamente nós não vamos fazer em um momento de deterioração econômica".

O diretor de operações e administrativo do Inter, Alexandre Riccio de Oliveira, disse que até o momento não há nenhum indicador que faça o banco pensar em promover uma guinada estratégica no crédito. Ainda assim, afirmou que a instituição desligou o "modo automático", tornando-se mais rigorosa na concessão. "Mas as leituras até o momento são positivas".

No primeiro trimestre, o Inter registrou um resultado negativo de R$ 15,818 milhões com operações de títulos e valores mobiliários. Segundo o CEO, esse resultado de tesouraria sofreu com a marcação a mercado de fundos imobiliários e multimercado. Mesmo assim, ele disse que o banco não tem intenção de se desfazer desses ativos. "Muito pelo contrário, temos o carrego, que é muito positivo. Seria burrice se desfazer disso agora".

Sobre o marketplace, cujo volume transacionado cresceu 13,6% na passagem do quarto para o primeiro trimestre, a R$ 38,7 milhões, ele disse que o resultado de abril surpreendeu positivamente (R$ 26,9 milhões) e que maio está sendo ainda melhor. Ele também afirmou que o Inter renegociou seu acordo com a Mastercard e que conseguiu termos bem melhores, mas comentou que não pode da detalhes pois há cláusulas de confidencialidade.

Menin também afirmou que a companhia pode acabar antecipando a meta de atingir com receitas de serviços 50% da receita total, que era esperada para o próximo ano. No primeiro trimestre, esse índice foi de 45,1%.

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