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Crise do coronavírus muda toda a dinâmica do crédito, diz presidente da Caixa

Valor Econômico online, Álvaro Campos e Flávia Furlan, 21/mai

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que a crise trazida pelo coronavírus muda toda a dinâmica de crédito, com uma demanda diferente. Em entrevista coletiva, ele foi questionado se o banco vai rever suas projeções para o crescimento da carteira de crédito neste ano, mas não respondeu diretamente.

"Nós estávamos com crescimento da operação de crédito imobiliário com 80% ano contra ano no SBPE [Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo]. Ao mesmo tempo, nós também tínhamos crescimento em consignado, em todas as linhas que são nosso foco. A questão é que, com um momento deste, em que as pessoas estão impedidas, é difícil..."

O vice-presidente de Habitação da Caixa, Jair Mahl, disse que a pandemia afetou mais a partir da segunda quinzena de março, mas, depois do lançamento de uma série de medidas do banco para ajudar esse segmento, já houve uma resposta do mercado. "As medidas foram importantes ara as companhias, demos seis meses de prazo, antecipamos valores, até 20% do valor contratação. E além disso, temos observado uma resposta firme e utilização da carência pelas pessoas físicas."

Guimarães reforçou que, com a abertura de poupança digital para o depósito do auxílio emergencial, a Caixa está promovendo a inserção financeira da população mais carente. Ele também afirmou que o banco está reduzindo consistentemente o juro do cheque especial, de maneira matemática, e que o balanço é e continuará extremamente sólido.

"Quando assumimos, o cheque especial estava próximo de 14% ao mês. Essa é uma taxa que não tem racional com um país com 3% de taxa de juro básica anual", afirmou. De acordo com Guimarães, a Caixa reduziu em 62,3% as taxas de juros cobradas. "O nosso resultado vai demonstrar que estamos equilibrando a questão social com a financeira. Um banco tem de ter resultado, ou não consegue realizar sustentavelmente a questão social."

Guimarães ressaltou que o retorno sobre o patrimônio médio do banco foi de 14,4%, lembrando que a taxa básica de juro está em um dígito. "Com a redução de taxa de juro, a receita financeira vai comprimindo. Em contrapartida, temos de emprestar mais e melhor."

No balanço, o executivo ressaltou o crescimento da captação de recursos em fontes de menor custo, por exemplo de 28,2% nos depósitos à vista e 8,3% nos depósitos de poupança, entre o quarto trimestre de 2019 e primeiro trimestre de 2020. Por outro lado, o banco também fez pré-pagamento de bônus emitido no exterior.

Gabriel Cardozo, vice-presidente de finanças da Caixa, observou, por sua vez, que a queda do lucro do banco no primeiro trimestre já reflete alguns impactos da pandemia de coronavírus. As receitas com tarifas de cartões, por exemplo, recuaram 12%. Sobre o aumento na inadimplência, ele afirmou que há também um componente sazonal no primeiro trimestre, quando o indicador ficou em 3,14%, e que agora esse número já roda abaixo de 3%, co um esforço de renegociação feito pelo banco.

"O impacto macroeconômico [da pandemia] pegou a Caixa no melhor momento da história. Em 2019, tivemos lucro recorde de R$ 21 bilhões. Temos a maior base de capital entre os pares. E temos  situação de liquidez sólida e ativos, como um todo, de menor risco", comentou Cardozo.

Auxílio emergencial

O presidente da Caixa afirmou que o banco está promovendo a inserção financeira da camada mais carente da população brasileira com o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 durante a pandemia de covid-19. "É o maior programa de transferência de renda já realizado no Brasil. Estamos evoluindo para pagar mais de 59 milhões de brasileiros durante este mês", disse.

De acordo com Guimarães, mais de 40 milhões de contas poupança digitais foram criadas pelo programa, todas gratuitas aos clientes. Dessas, mais de 20 milhões se referem a pessoas que não têm conta em outra instituição financeira.  Em relação ao fato de bloquear a transferência dos valores do auxílio emergencial para outras contas, o executivo disse que seguiu portaria do Ministério da Economia, que visa o bem-estar da população brasileira em equilíbrio com o recebimento do auxílio emergencial.

"DOCs entre contas significa a mesma coisa que não ter restrição, que já houve mês passado, do saque. Se todo mundo for ao mesmo tempo às agências, teremos filas gigantescas em momento de pandemia."

No total, a Caixa participa de 21 programas com governos. Entre eles, está o de redução de jornada e salário, em que foram pagos 2 milhões de trabalhadores, num valor total de R$ 1,9 bilhão. Um terço desse valor foi depositado em novas contas de poupança digitais.

Segundo o executivo, o que está acontecendo neste momento é algo que gera valor para a Caixa, tendo em vista o canal com dezenas de milhões de novos clientes.

A Caixa disponibilizou, segundo Guimarães, R$ 154 bilhões em novos recursos para medidas de combate à pandemia de covid-19. No microcrédito, foram disponibilizados R$ 7,5 bilhões em uma parceria com o Sebrae, sendo que R$ 1 bilhão já foi desembolsado.

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