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Confiança empresarial se recupera em maio, mas segue em nível baixo

Valor Econômico, Rafael Rosas, 02/jun

A recuperação da confiança empresarial em maio mostrou alguma reação depois do forte tombo causado pelos efeitos da covid-19 na saúde e na economia. Mas essa recuperação é considerada mais um ajuste depois de um momento em que o cenário não tinha clareza suficiente do que um sinal de retomada consistente da confiança. A opinião é de Aloisio Campelo, superintendente de estatísticas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

No mês passado, o Índice de Confiança Empresarial (ICE), da FGV, subiu 9,8 pontos, para 65,5 pontos, recuperando 24% da queda ocorrida no bimestre março-abril. O ICE consolida os índices de confiança dos quatro setores cobertos pelas Sondagens Empresariais produzidas pelo Ibre/FGV: Indústria, Serviços, Comércio e Construção.

Campelo ressalta que a recuperação foi puxada pelas expectativas, uma vez que o Índice de Expectativas (IE) subiu 11,5 pontos, para 63 pontos, recuperando 23% da queda de abril. Já o índice que retrata a situação corrente dos negócios (ISA-E) subiu 2,5 pontos em maio, para 63,9 pontos, recuperando 8% das perdas do bimestre março-abril.

O economista do Ibre frisa que, apesar da alta na margem, ambos os índices registraram em maio os segundos menores valores de suas séries históricas.

"O governo está fazendo algum esforço, com programas como auxílio emergencial, alguma liberação gradual nas principais capitais, o consumidor volta a consumir e tem adaptação das empresas ao momento. Algumas empresas, alguns negócios deram uma aliviada, uma respirada. Mas situação ainda é muito ruim. Tem empresas que, mesmo que coisas voltem, vão operar com lucro muito abaixo do que tinham", afirma Campelo.

Para o economista, depois do tranco de abril, em maio já se começou a ter alguma perspectiva sobre relaxamento das restrições de circulação. Mesmo assim, diz, ainda há uma "incerteza muito grande" sobre os rumos que serão tomados em junho.

Para ele, as medidas são heterogêneas no país, a depender do Estado ou mesmo do município. "Acho difícil uma recuperação rápida. As expectativas podem sofrer mais com a situação da saúde", diz, alertando para o risco de um recrudescimento da doença após redução do isolamento social. "Se a saúde piorar, as expectativas não vão ficar maravilhosas", acrescenta.

Na pesquisa divulgada ontem, o Indicador de Demanda Prevista (três meses) subiu 17 pontos, para 53,8 pontos e o Indicador de Emprego Previsto, também em três meses, subiu 6,4 pontos, para 57,7 pontos. O Indicador de Expectativas com a Situação dos Negócios - único componente do IE que mira o horizonte de seis meses - avançou 7,7 pontos, subindo para 66,3 pontos.

A confiança de todos os setores integrantes do ICE subiu em maio. O resultado foi influenciado, segundo o Ibre, pela revisão das expectativas e acomodação da situação atual, à exceção do setor da construção, em que o ISA continuou recuando no mês. Em termos de médias móveis trimestrais, a confiança de todos os setores continuou recuando.

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