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CBRE vê equilíbrio entre "home office" e escritórios

Valor Econômico, Chiara Quintão, Letícia Fucuchima e Ivo Ribeiro, 14/jul

Grandes empresas inquilinas de lajes corporativas de alto padrão conseguirão, após o fim da pandemia da covid-19, balancear um modelo de trabalho com parte dos funcionários em escritórios mais amplos e acolhedores do que os do formato tradicional e outra parcela das pessoas em sistema de "home office", na avaliação do presidente da consultoria CBRE, Walter Cardoso. "O mercado já se preparava para essa convivência entre o trabalho remoto e o centro de cultura, que é o escritório, quando a pandemia pegou todos de surpresa, e todo mundo foi para casa", disse Cardoso, durante a Live do Valor realizada ontem.

O executivo não tem expectativa que a adoção do teletrabalho seja generalizada, depois do fim da pandemia, nem que possa se refletir em um volume de redução de áreas ocupadas pelas empresas que mude as tendências de oferta e demanda na cidade de São Paulo - maior mercado imobiliário do país. Não há perspectiva de esvaziamento dos prédios corporativos, segundo ele. Nos casos em que houver entrega de espaços, o movimento se deverá mais a dificuldades financeiras da ocupante, do que ao "home office".

Há 35 anos no setor, Cardoso avalia que, durante a pandemia, não é o momento adequado para se fazer previsões. "Você convive com as coisas e vai entendendo a tendência para, lá na frente, poder falar alguma coisa", diz.

Embora em menor ritmo, novas locações continuam ocorrendo, e a taxa de vacância continua abaixo de 10% em regiões como Faria Lima, Jardins e Paulista. No segundo trimestre, a vacância do mercado paulistano fechou em 14,7%, acima dos 13,2% do primeiro trimestre. Houve desocupação de escritórios por empresas que sofreram mais os impactos da crise, como as dos setores aéreo e de hotelaria, e por ocupantes que já se encontravam em "situação ruim". Mas o fator que mais pesou na elevação da taxa foram os 50 mil metros quadrados entregues por uma multinacional que saiu de um edifício para ir para outro que havia contratado anteriormente.

"A observação do terceiro trimestre nos dará uma visão mais clara, sem essa vacância extraordinária que houve", diz o executivo.

Segundo o presidente da CBRE, "a realidade da volta dos escritórios já está acontecendo".

A densidade média dos escritórios, no Brasil, é de um funcionário a cada 7 metros quadrados, mas há expectativa de maior espaçamento devido à necessidade de as pessoas estarem mais afastadas. Nos Estados Unidos, a média pré-pandemia era de um funcionário a cada 15 metros quadrados. A esperada diminuição da densidade somada a espaços maiores para a cafeteria com o objetivo de favorecer a troca de experiências entre funcionários de diversas áreas das empresas tende a compensar a possibilidade de parte das inquilinas das grandes lajes corporativas optar pela manutenção do sistema de "home office" após o fim da pandemia, conforme Cardoso.

O presidente da CBRE observa que o trabalho remoto, da forma que está sendo praticado hoje, está "descolado" de medições de produtividade ou de resultado. Por isso, opina que essa experiência não deveria ser usada para balizar uma estratégia de longo prazo das empresas.

O executivo ressalta que uma empresa que decide entregar parte da área ocupada precisa arcar com multa, informar à decisão à proprietária, com aviso prévio de seis meses a um ano, devolver o imóvel nas condições recebidas e gastar com a mudança. "Se a empresa não tem um problema agora, vai sair muito mais caro reduzir a área e voltar ao normal depois", diz Cardoso. Ele diz não acreditar em "quebra de demanda" e afirma que o melhor é que as ocupantes não tomem decisões de redução de espaços neste momento. Em caso de "queda brutal" da receita, com necessidade de diminuição de custos e contrato mais próximo do final, porém, a ocupante pode tomar a decisão de entrega.

Na ponta da oferta, o presidente da CBRE diz não esperar pressão nos próximos 12 meses. "O que mexe com preço, no nosso mercado, não é crise econômica, nem pandemia, é oferta no mercado. O novo estoque deste ano é baixo. No ano que vem, é mais alto, porém espalhado", diz.

As operações de compra e venda de ativos - que somaram R$ 8,5 bilhões, em São Paulo, em 2019 - chegam a quase R$ 2,5 bilhões neste ano. "Há muitos negócios em andamento", afirma Cardoso. Segundo ele, há imóveis considerados "joias da coroa", que não seriam levados a mercado, normalmente, mas estão sendo ofertados porque a receita das proprietárias caiu. Esses ativos têm "preços especiais" e vem sendo "muito bem recebidos", de acordo com o executivo. "Não acho que as operações vão ser maiores do que as do ano passado, mas vão ser muito fortes também", diz o presidente da CBRE.

Com quase 100 edifícios e 500 contratos sob gestão, a consultoria registra inadimplência em torno de 4%. "A inadimplência foi muito menor do que esperávamos", afirma o executivo.

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