Notícias do setor

Empresas batem recorde com venda de habitação popular

O Estado de S. Paulo, Especial Top Imobiliário, 31/jul

Com a produção voltada para o programa Minha Casa Minha Vida, duas construtoras, MRV Engenharia e Tenda, bateram recordes de vendas no primeiro semestre do ano, em plena crise da pandemia do coronavírus.

O alto volume de vendas confirma a resiliência do segmento de baixa renda, segundo o consenso das empresas, que investem na construção de moradias populares.

A Tenda anunciou seu melhor resultado trimestral, com R$ 689 milhões entre abril e junho. No mesmo período, após atingir a marca inédita de R$ 1,67 bilhão, a MRV cresceu 8% e superou R$ 1,8 bilhão, com 11,5 mil unidades vendidas no segundo trimestre.

"A MRV adotou medidas como descontos nos preços dos imóveis", afirma o diretor comercial Sérgio Paulo Amaral dos Anjos. Na divulgação de resultados, a companhia reporta que, para fechar negócios, é preciso ter estratégia comercial mais agressiva.

Segundo Amaral, os recordes consecutivos são consequência de adequar processos e os canais digitais, que permitem fechar a compra remotamente.

"Sem sair de casa, o cliente escolhe a unidade, envia documentação, faz simulação e aprovação de crédito, negocia a proposta e assina o contrato digital", afirma o executivo.

Ele diz que a casa ganhou mais importância durante o confinamento, mas reforça que o cenário com juros mais baixos e facilidades de financiamento é decisivo para o aumento das vendas tanto em São Paulo como em outras praças. "Em meio à pandemia, temos performance bastante satisfatória."

Em 2019, o faturamento chegou a R$ 5,4 bilhões com 35 mil habitações comercializadas no Brasil. As vendas da MRV em São Paulo e Região Metropolitana, segundo Amaral, representam 13% do total.

A construtora fechou 2019 com o valor geral de vendas (VGV) de R$ 6,9 bilhões para os 41,6 mil imóveis lançados em 162 cidades. Na Grande São Paulo, segundo a Embraesp, foram 18 novos projetos, com 5.980 apartamentos e VGV lançado de R$ 1,16 bilhão.

Nesse lote, destacam-se mais cinco residenciais do Grand Reserva Paulista, maior complexo da MRV, com investimento de R$ 1 bilhão em 25 condomínios, com 7,3 mil apartamentos. "O preço da unidade gira em torno de R$ 225 mil", diz Amaral, informando que 60% já foram entregues. "A última fase de lançamentos está prevista ainda para 2020."

Neste ano, tanto no lançamento de 12 mil unidades como no VGV de R$ 2 bilhões, a MRV registrou queda de 30% em relação ao mesmo período de 2019. Com o alto nível de estoque, "optamos pela redução de lançamentos", declara Amaral, ressalvando o objetivo de "intensificar significativamente" esse volume neste semestre.

Tenda. Com lojas fechadas, a Tenda bateu recorde no segundo trimestre com vendas de R$ 689 milhões. Isso atesta a resiliência da demanda por habitação popular, sinalizando a eficiência dos canais online, afirma o diretor financeiro, Renan Sanches.

Na prévia operacional, que anuncia seu melhor trimestre, a companhia reporta a política de descontos no pagamento da entrada dos imóveis. As vendas nacionais cresceram 25%, indo de R$ 980 milhões no primeiro semestre de 2019 para R$ 1,23 bilhão agora.

A Grande São Paulo respondeu pela parcela de 40% das vendas no Brasil, ancorada nos lançamentos, feitos entre outubro e dezembro. "Foi o trimestre em que a companhia mais lançou na sua história", afirma Sanches. "Uma prateleira de produtos bem definidos, especialmente em São Paulo, permitiu super crescimento nas vendas."

Assim, a participação subiu quatro pontos porcentuais. Em 2019, a Tenda havia registrado vendas de R$ 2,04 bilhões no País, das quais 36% na Grande São Paulo.

Quando começou a pandemia, segundo Sanches, não havia dúvida que o cliente de baixa renda continuava com urgência de adquirir a casa própria. "A dúvida era saber se ele ia comprar online", conta.

A transformação digital trouxe inovações para clientes e vendedores com ferramentas para assinatura do contrato e envio da documentação por aplicativo. "É possível comprar tudo online", diz ele, ao frisar que a necessidade fez tudo mudar rápido e chegar ate a venda de imóveis.

Como a maioria das empresas, a Tenda reduziu os lançamentos, que caíram de R$ 978 milhões, no primeiro semestre de 2019, para R$ 796 milhões, uma queda de 19%.

Neste ano, a pandemia trouxe dificuldade nos processos de aprovação em prefeituras e órgãos estaduais, diz o diretor. Melhorou no final de junho, segundo ele, mês em que a Tenda fez nove dos 18 lançamentos do ano. Sanches espera aumentar o volume de novos projetos até dezembro.

Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]