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Coronavírus: a reação do mercado de construção civil ante a pandemia

O Estado de S. Paulo, Artigo, Rogério Sortino, 06/ago

Mesmo a construção civil sendo considerada uma atividade essencial e que esteve ativa durante a pandemia, é fato que este mercado sentiu a crise causada pelo novo coronavírus. As empresas começaram a reduzir equipe e segurar o caixa, mostrando que os próximos meses, quiçá anos, serão de retenção de despesas.

O setor, que estava aquecido no início do ano e era apontado por especialistas como responsável para puxar o PIB do país para cima em 2020, não estava preparado para enfrentar as consequências da Covid-19. Mesmo com a retomada dos trabalhos mais intenso no segundo semestre do ano, vejo que a construção civil voltará ao patamar anterior à crise somente de forma lenta.

A queda na taxa de juros e a facilitação dos empréstimos também ajudará a aliviar o estresse econômico das companhias, apesar, é claro, de termos que considerar que estas contas mais pra frente precisarão ser pagas de alguma forma.

Segundo pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a expectativa era a de que a construção civil crescesse 3% esse ano. Mas com a pandemia, muitas incorporadoras reduziram o número de funcionários ativos nos canteiros de obras e já avisaram que haverá atrasos nos lançamentos. Mesmo listada como atividade essencial, a construção civil não foi poupada e os empresários da área também tiveram perdas.

As ações que os empresários da construção civil estão tomando como a aderência aos mecanismos disponibilizados pelo governo e o incentivo ao consumo visam mitigar os impactos da crise nas companhias e na economia em geral.

Contudo, enxergo o mercado de forma otimista pois vejo que há um esforço coletivo para que a roda continue girando. Mais lenta, é verdade, mas o ritmo de recuperação já é notável. A incerteza do que nos aguarda ainda em 2020 é grande, mas, apesar da cautela dos players envolvidos, não se deixou de investir nesta área.

Com isso, as vendas continuaram aquecidas, embora, com uma redução do orçamento previsto inicialmente para o período. Entretanto, apesar da contenção, mantivemos um crescimento acima do obtido no mesmo período de 2019 no setor, muito impulsionado pelos resultados do e-commerce: seja de grandes redes acostumadas a este formato quanto dos pequenos negócios que rapidamente a ele se adaptaram.

É preciso reconhecer que o impacto é mundial. Economias sólidas, como da Itália, também sentiram as dificuldades por causa do vírus. Os brasileiros ainda vão demorar para se recuperar e voltar à normalidade após o Covid-19. Por isso, é importante valorizar pequenos detalhes que podem ser indícios de dias mais tranquilos no futuro.

Olhando para o cenário nacional, observamos uma queda no número de lançamentos de imóveis, mas, por outro lado, as construções em andamento se mantiveram ativas, ainda que com redução de pessoal e de tempo trabalhado. Foi possível perceber, no entanto, um aumento no mercado de pequenas reformas, pois, passando mais tempo em casa, as pessoas começaram a conviver com obras que precisavam ser feitas há algum tempo ou que se fizeram necessárias a partir da utilização acima do normal.

A crise e as dificuldades já são realidade para os empresários brasileiros e mundiais. Mas vejo atitudes como a manutenção das atividades e o corte nas taxas de juros como mostras de que o mercado pode reagir positivamente a este novo momento.

Crédito: Rogério Sortino é CEO no Brasil da multinacional italiana Kerakoll, voltada a itens de construção civil com o selo GreenBuilding de baixo impacto ambiental.

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