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Com R$ 111,6 bi, poupança tem recorde no ano de captação

Valor Econômico, Estevão Taiar, 07/ago

Influenciada por fatores como o pagamento do auxílio emergencial, a redução do consumo causada pelo distanciamento social e a menor propensão das famílias a gastar, a poupança registra neste ano, com folga, a maior captação de toda a sua série histórica. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que a captação líquida atingiu R$ 111,578 bilhões entre janeiro e julho.

O número é quase três vezes maior, na mesma base de comparação, do que o recorde anterior para o período desde o início da série histórica. Nos sete primeiros meses de 2013, os depósitos haviam superado os saques em R$ 37,605 bilhões. O acumulado neste ano também é mais que o dobro do que a captação mais alta para um ano de toda a série: R$ 49,719 bilhões, em 2012.

Os números mais recentes também mostram crescimento da poupança. Em julho, a captação líquida atingiu R$ 27,144 bilhões, a maior para o mês em toda a série histórica, com início em janeiro de 1995. As captações dos três meses anteriores também foram as maiores para qualquer mês desde o início da série, com R$ 30,458 bilhões em abril, R$ 37,201 bilhões em maio e R$ 20,533 em junho.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, destaca que parte da captação maior da poupança pode ser explicada pelo comportamento "conservador" da população brasileira na hora de investir. "No meio de uma crise como esta, muita gente acaba fugindo para investimentos tradicionais, como poupança e imóveis. Não à toa vemos o setor de construção indo muito bem até agora, dada a crise que tivemos", disse.

Já Nicola Tingas, economista-chefe da economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), chama a atenção para o impacto que a postergação do pagamento de impostos teve sobre a liquidez da economia de uma forma geral.

Independentemente das razões para o aumento da poupança, esses recursos "não devem virar consumo futuro" tão cedo, na avaliação de Camila Abdelmalack, economista-chefe da Vheeda Investimentos. "Estamos em um momento de incerteza. O segundo semestre ainda será delicado, podemos ter alguma frustração com a atividade econômica", afirma, destacando os impactos negativos que o fim de programas de crédito do governo, direcionados a empresas, podem ter sobre o mercado de trabalho.

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