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Crédito dá sinais melhores, mas insuficientes

O Estado de S. Paulo, Editorial Econômico, 07/ago

Está em curso uma retomada das operações de crédito, cujos saldos aumentaram 0,8% entre maio e junho, de R$ 3,594 trilhões para R$ 3,625 trilhões, enquanto as concessões mensais cresceram 5,1% na mesma base de comparação, para R$ 322 bilhões. Há outros dados positivos sobre os financiamentos, como a alta da proporção entre os estoques de crédito e o Produto Interno Bruto (PIB) de 49,7% em maio para 50,4% em junho, segundo o mais recente relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central (BC), além da queda da inadimplência e do aumento de prazos das concessões de empréstimos às empresas. Mas, ante a intensidade dos efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre o faturamento das empresas e levando em conta a criação de novas linhas de crédito pelo governo, é certo que muitas companhias ainda sofrem a falta de recursos, sem ter a certeza sobre quando a economia voltará à normalidade.

Entre os primeiros semestres de 2019 e de 2020, os saldos das operações com pessoas jurídicas aumentaram 8,3%, mas o ritmo da alta parece ter tido algum arrefecimento no segundo trimestre, sugerindo algum entupimento dos canais de financiamento. Para as pessoas físicas, o crescimento foi de 4,2% no semestre, cedendo entre abril e junho. A evolução mais fraca do crédito às famílias era esperada, seja porque a renda das famílias foi mantida por causa do pagamento do auxílio emergencial, reduzindo a demanda de crédito, seja porque o custo dos empréstimos, embora cadente, continua sendo muito alto. O nível de endividamento das famílias ficou estável nos últimos meses.

Na média das operações de crédito livre, o custo anual para pessoas físicas foi de 40,7% ao ano, três vezes superior ao de 13% ao ano aplicado às pessoas jurídicas. Um dado positivo é a diminuição das concessões de crédito na modalidade de cheque especial, cujos custos são exorbitantes. Os bancos privados continuaram recuperando espaço na oferta de crédito em relação aos bancos públicos, mas estes ainda ocupam quase 47% do mercado.

A tendência é de aumento das operações de crédito neste semestre, mas uma redução mais forte dos juros permitiria que os financiamentos fossem um instrumento de efetivo revigoramento econômico.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]