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Juro menor do Casa Verde e Amarela para Norte e Nordeste surpreende empresários

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(O Globo online, Ana Carolina Diniz, 28/ago)

O foco do programa Casa Verde e Amarela no Norte e Nordeste surpreendeu alguns empresários da construção civil, que esperavam juro menor no financiamento habitacional não apenas para essas regiões e, sim, para todo o país.

O programa, anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro na terça-feira, substitui o Minha Casa Minha Vida, criado na gestão petista. Uma das novidades é a redução nos juros, que hoje variam entre 5% e 5,5% ao ano.

As regiões Norte e Nordeste serão as mais beneficiadas pelos cortes. Nessas localidades, a taxa cairá em até 0,5 ponto percentual para famílias com renda de até R$ 2 mil mensais e 0,25 pp para quem ganha entre R$ 2 mil e R$ 2,6 mil. Assim, o percentual ficará em 4,25% ao ano e, nas demais regiões, em 4,5%.

Alguns representantes do setor dizem que esperavam uma diminuição da taxa em todos os estados:

- É claro que seria melhor que a redução fosse para todas as regiões. Um corte generalizado de 0,5 ponto percentual nos juros habilitaria até 1,8 milhão de famílias para buscar o financiamento de imóveis. Há uma conta simples que é: quanto menor o juros, menor a renda necessária para financiar - afirma Luiz Antônio França, presidente da Associação Brasileiras de Incorporadoras (Abrainc).

Ele pondera, no entanto, que a redução do juro para o Nordeste e o Norte significa um avanço importante. Essas regiões têm um déficit habitacional de 2,8 milhões de moradias.

De acordo com França, o Brasil tem um déficit habitacional de 7,8 milhões de moradias, sendo que 91% referem-se à população com renda de até três salários mínimos.  A redução desse déficit, portanto, passa por concentrar o foco na demanda da baixa renda.

- A queda de 0,5 ponto percentual amplia o valor de financiamento em até 5,8% no Norte e Nordeste e 2,9%, nas demais regiões. Ou seja, famílias de menor renda terão o acesso facilitado na hora de buscar o crédito para financiar seu imóvel.

Rodrigo Luna, vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP, afirma que o setor esperava  uma redução maior das taxas de juros em todo o país, mas sabe que era o 'possível de se fazer, com responsabilidade'.

- Com o ajuste nos juros, o programa restabelece o equilíbrio nessas regiões do País, buscando prover habitação para todos.  O mais importante é manter a perpetuidade do programa - considera.

Rafael Menin, copresidente da MRV, considera acertada a decisão de o Nordeste e Norte terem taxas diferenciadas do restante do país, já que são regiões com renda menor e muita informalidade. Líder de vendas no segmento, 20% das vendas da companhia são fechadas no Nordeste.

- O governo já vinha sinalizando que o Nordeste deveria ter tratamento diferenciado, pois é a região que contrata menos unidades. O que o governo fez foi ajustar os parâmetros.  O Brasil é muito diverso. Esta taxa veio para dar equilíbrio ao programa - afirma.

Claudio Hermolin, CEO da Brasil Brokers e presidente da Ademi-RJ (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do RJ), concorda:

- A  gente sabe que o Brasil é uma país com proporções muito grandes, com diferenças muito grandes. A redução de juros, no geral, é muito positiva, e o fato de eles serem ainda menores no Norte e Nordeste faz sentido para a diversidade do nosso país.

Segundo Ricardo Ribeiro, presidente da Direcional Engenharia, a redução dos juros no Norte e Nordeste vai motivar o incremento do número de projetos nessas regiões. A empresa já tem empreendimentos na área.

- É de fundamental que um programa de abrangência nacional procure atingir todas as regiões do país da forma mais equânime possível.

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Na incorporadora RNI, as novas taxas de juros terão um impacto localizado, segundo o diretor de marketing, vendas e incorporação da empresa, Henrique Cerqueira.

A empresa atualmente constrói dois empreendimentos no Nordeste: os condomínios horizontais Reserva Sim, em Feira de Santana, e o Moradas das Flores, na região metropolitana de Fortaleza, que devem se beneficiar das novas regras. No entanto, o foco de novos empreendimentos são no Centro-Sul do país.

- O programa Casa Verde Amarela não tem alterações de taxas para os grupos 2 e 3 na maior parte dos estados brasileiros. Por isso, o programa não terá um efeito novo determinante para a incorporadora, já que muitas regras do programa Minha Casa Minha Vida devem permanecer.


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