Não é só a paisagem arquitetônica do Rio que motiva o arquiteto Afonso Kuenerz. Há três anos, o panorama social da cidade também passou a lhe interessar, quando uma de suas filhas, então estudante de Psicologia da PUC, levou-o ao alto do Morro Santa Marta, para acompanhá-la em um dos trabalhos que realizava junto a comunidades carentes.



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Com a palavra, o Associado

Com a palavra: Afonso Kuenerz

AFONSO KUENERZ E A MÃO DE OBRA SOCIAL

             Não é só a paisagem arquitetônica do Rio que motiva o arquiteto Afonso Kuenerz. Há três anos, o panorama social da cidade também passou a lhe interessar, quando uma de suas filhas, então estudante de Psicologia da PUC, levou-o ao alto do Morro Santa Marta, para acompanhá-la em um dos trabalhos que realizava junto a comunidades carentes. Impressionado com o que viu, Afonso já desceu o morro com planos na cabeça e com a disposição de elaborar muito mais do que o simples mapa de apoio à comunidade, que a filha lhe encomendara. "É difícil de acreditar nas condições que esse pessoal vive e cria os seus filhos, em meio ao lixo e tive que fazer alguma coisa", lembra o arquiteto.

              O impacto das imagens tiveram efeito rápido. Após o contato com a associação de moradores, ele convocou um grupo de amigos e, com o apoio do Secretário de Defesa Civil do Estado a comprar a idéia e mobilizar 100 bombeiros para, junto com voluntários e membros da comunidade, realizar um mutirão de limpeza. Não satisfeito, Afonso Kuenerz tratou de garantir a preservação da área que ajudou a desbastar. "Tínhamos que garantir que a área continuasse pública", comenta. E garantiu, graças à ajuda de uma firma de paisagismo, que doou as palmeiras para a montagem do primeiro canteiro da história do morro.

               Sensibilizar outros profissionais passou a ser um dos objetivos de Afonso. Depois de novo pedido da associação, desta vez para dar uma solução para o sistema de águas, ele conseguiu levar a responsável pela Obra Social do Estado, Maria Cecília Lamy. "Ela ficou chocada e levou o caso à governadora, que transformou o reparo da tubulação em uma reforma completa do sistema de águas", explica. A obra ainda trouxe benefícios extras à comunidade, pois o projeto prevê a retirada de barracos de áreas de risco e a instalação de um plano inclinado. "Isso vai facilitar o fluxo de lixo e ainda permitir que pessoas que não podem se locomover possam descer pela primeira vez", festeja Afonso, atento à obra, que está, hoje, em pleno andamento.

                De volta à comunidade, Afonso voltou a reunir grupos de profissionais em torno de projetos como o de uma praça no meio do morro e a reforma da sede da associação de moradores. No primeiro, amealhou dinheiro e ajudas materiais para tocar o projeto; No segundo, recuperaram a sede quase condenada da associação, que recebe, hoje, gabinetes para atendimentos médicos e psicológicos, e, no terceiro andar, que construíram sobre uma laje recuperada, abriga a versão local do projeto "Dançando para não dançar", com apoio da Petrobrás. Tudo isso, com ajuda voluntária e contribuições que somaram 1.800 reais. "Com pouco dinheiro, pode-se fazer muito", ensina Afonso Kunersz

 



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