ADEMI em foco

O desafio dos dias atuais

Márcio Fortes

O Brasil atingiu um alto grau de sofisticação na infra-estrutura de suporte ao desenvolvimento econômico. Recentemente, o setor financeiro funcionou como um instrumento de estabilidade macroeconômica e aperfeiçoou ainda mais a sua base instalada. Estamos num patamar superior ao da maioria das nações, entre elas, os Estados Unidos e a Inglaterra. A atuação do Banco Central e os instrumentos de aferição e de aplicação de dados de natureza macroeconômica e microeconômica, como o conhecimento de índices de preços, do IBGE ou da FGV, são exemplares.

     Entretanto, avizinha-se um momento, ligado ao calendário eleitoral, de sucessão de poderes, e de fatos próprios do aperfeiçoamento democrático, em que toda essa estrutura parecerá pequena face ao desafio de conciliar o desejo nacional expresso pelo momento político e as necessidades do desenvolvimento. No Brasil se buscará com nitidez o conceito de desenvolvimento que rege os países avançados. Ele significa, na prática, a capacidade de promover a inclusão e ascensão sociais.

     Não basta o desenvolvimento econômico. Modernamente, desenvolvido é o país que promove a inclusão de toda a sociedade nos meios de produção, capacitando-a à ascensão social, através da educação. Mais ainda: outorga cidadania, que inclui a liberdade democrática. E com ela, aparece a correlação da política com a economia. O sistema produtivo fica definitivamente ligado à evolução da movimentação política.

     Este é o desafio dos dias de hoje. Quando ocorreram fatos marcantes da nossa História recente como, por exemplo, os que levaram à outorga da Constituição de 88, os decorrentes do falecimento do presidente Tancredo Neves ou os que culminaram no impeachment do presidente Collor, não havia, como hoje, todo um planejamento de desenvolvimento econômico de longo prazo. Não havia a inserção brasileira no processo mundial de globalização, a estabilidade da moeda como compromisso nacional, a disseminação crescente de instrumentos de tecnologia de informação.

     Hoje há tudo isso, o que gerou a aspiração nacional pela evolução política. O que presenciamos? O que se fala nas ruas? O que se quer? Todo mundo está atônito com a política. E entendendo claramente: se a economia vai bem, é preciso que as questões políticas sejam conduzidas com maturidade e competência. Pela primeira vez na História do Brasil, com uma economia organizada, inflação sob controle e com todos os dados que conhecemos, a continuidade desse sucesso depende de uma correto enfrentamento dos problemas políticos

     Infelizmente, desde o início de 2005, não estamos conseguindo ver exatamente qual é o projeto nacional que possa nos conduzir à solução desses problemas. O projeto existente, por parte do governo federal, que é garantir a reeleição do presidente Lula, com certeza, não inclui o  aperfeiçoamento do sistema, as chamadas reformas. Não se vislumbra, por exemplo, a reforma política, que daria maior legitimidade aos mandatos parlamentares, e muito menos a tributária, que ficou relegada para anos após o nosso atual momento, retardando a resposta à vontade nacional por um desenvolvimento integral.

 

 



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