Painel Imobiliário

Construção Civil x Déficit Habitacional

O déficit habitacional do Município do Rio de Janeiro (mais de 500 mil moradias) é apenas um reflexo do que vem ocorrendo nos últimos anos no País: a falta de uma Política Habitacional adequada e de longo prazo. Há dez anos não há uma autoridade federal responsável pelo setor habitacional urbano. As políticas são de pequena abrangência, estão dispersas e obedecem a mais de um comando, o que, talvez, seja seu principal problema. 

A criação do Ministério das Cidades, que poderia ter dado esperanças, até agora frustrou os participantes do processo, já que não se ouviu uma única palavra de incentivo à construção de novas habitações e sim apenas à correção dos erros - o que também é importante - gerados pelas distorções antigas, como as favelas. Mas só se resolve o caso da habitação subnormal e subumana construindo, gerando oferta.

Para se ter idéia, a cidade do Rio de Janeiro tem cerca de 1 milhão de moradias, das quais 200mil são casas de favelas, classificadas como subnormais ou subumanas. Dentre as habitações adequadas, cerca de 2% - ou seja, 16 mil moradias - precisam ser amplamente reformadas ou  substituídas a cada ano, para fazer frente a seu desgaste natural. Há uma demanda social para substituir as construções inadequadas por imóveis com preço e financiamento compatíveis com o poder aquisitivo do público a que se destinam. É necessário, ainda, atender à demanda anual por novos empreendimentos, para responder ao crescimento demográfico da cidade.

Este não é um problema regional. O déficit habitacional do Brasil gira em torno de 6,6 milhões de moradias. Um quadro que só mudará com uma Política Habitacional mais clara e objetiva por parte do Governo. É necessário rever os atuais programas de financiamento do País, que não mais condizem com a realidade da população. O Ministério das Cidades também precisa dispor de recursos orçamentários para as infra-estruturas e para o subsídio às habitações de atendimento às populações menos favorecidas. Sugiro que a Caixa Econômica Federal passe a ser subordinada ao Ministério das Cidades, assim como os outros instrumentos de crédito, como o FGTS, que é subordinado ao Ministério do Trabalho. Não basta que exista um Ministério das Cidades. É preciso que tenha atribuições de comando dos vários instrumentos capazes de promover a construção.

Assumo a presidência da ADEMI - Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário com a esperança de contribuir para o aquecimento do setor, visando transformar a entidade em um importante elo de ligação entre os diversos componentes da Cadeia Produtiva do setor.

Como primeiro passo, estamos desenvolvendo a "Pesquisa ADEMI de Mercado Imobiliário", com o objetivo de suprir a carência de informações sobre o comportamento do mercado do Rio de Janeiro, podendo, assim, orientar os dirigentes das empresas do setor na tomada de decisões em novos negócios.

O resultado será fundamental na medida que, atualmente, a ausência de estatísticas e de precisão científica na questão habitacional urbana é total. A maior parte do que se sabe e do que se fala vem apenas da intuição dos operadores. Serão apuradas informações referentes a preço de venda de imóveis novos, quantidade ofertada, características de novos empreendimentos, movimentação nos estandes e o índice de velocidade de venda de empreendimentos. A pesquisa é, portanto, decisiva para que se saiba a realidade e se possa trabalhar com mais precisão. O mercado mais bem orientado poderá oferecer à população produtos mais adequados à sua efetiva necessidade.

Márcio Fortes



Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]