Lançamentos imobiliários disparam 67% na RMR puxados pelo MCMV

em Movimento Econômico / Construção Civil, 26/maio

O segmento econômico respondeu por 84,7% das unidades lançadas no Recife e Região Metropolitana no 1º trimestre de 2026, segundo levantamento da Brain para a Ademi-PE. Bairros como Imbiribeira, Várzea e Vasco da Gama lideram vendas.

O programa federal Minha Casa Minha Vida se consolidou como o principal motor do mercado imobiliário residencial vertical no Grande Recife no início de 2026. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica, encomendado pela Ademi-PE, mostra que o segmento econômico respondeu por 84,7% de todas as unidades lançadas no Recife e Região Metropolitana no primeiro trimestre do ano.

Os números apontam um mercado aquecido, especialmente nos municípios do entorno da capital. Enquanto o Recife manteve o mesmo volume de lançamentos do primeiro trimestre de 2025, com oito empreendimentos, a Região Metropolitana registrou alta de 50%, passando de seis para nove projetos lançados.

Em número de unidades habitacionais, o avanço foi ainda mais expressivo. A RMR somou 1.905 unidades verticais lançadas, crescimento de 67% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a capital pernambucana teve retração de 21% no trimestre, com 1.142 unidades lançadas, embora mantenha um ritmo elevado de renovação urbana, acumulando 7.260 unidades nos últimos 12 meses.

MCMV domina o mercado de imóveis

A predominância do Minha Casa Minha Vida também alterou o perfil dos imóveis ofertados. Os apartamentos de dois dormitórios responderam por 83,5% dos lançamentos do trimestre, contra 74,7% registrados um ano antes. O padrão médio ficou com 13,9% das unidades lançadas, enquanto o segmento de luxo avançou de 0,9% para 4,1%, sinalizando retomada gradual do mercado premium.

Para o presidente da Ademi-PE, Leonardo Queiroz, os dados revelam um cenário de equilíbrio entre oferta e demanda, com estabilidade nos preços. Segundo ele, o mercado segue saudável mesmo diante do ambiente econômico desafiador.

“Estão crescendo oferta e a demanda de forma equilibrada e estável. Os preços foram reajustados nos últimos 12 meses em apenas 5,1%, refletindo a inflação do mercado brasileiro”, afirmou. Para o dirigente, o desempenho dá previsibilidade tanto para consumidores quanto para as empresas do setor.

Crédito impulsiona expansão do mercado

Na avaliação do sócio da Brain Inteligência Estratégica, Lucas Finoti, o desempenho do mercado imobiliário está diretamente ligado à ampliação da disponibilidade de crédito, mais até do que ao nível da taxa de juros.

“O fator que mais influencia lançamentos e vendas é a disponibilidade do crédito. Mais do que a taxa de juros, o importante é que o crédito exista e esteja acessível para as famílias”, destacou.

Finoti afirmou ainda que o programa habitacional ganhou papel central na sustentação do mercado brasileiro. “Se não tivéssemos hoje o Minha Casa Minha Vida da forma como ele se desenvolveu nos últimos anos, estaríamos discutindo um mercado muito pequeno, concentrado apenas em imóveis de alto padrão”, avaliou.

Classe média encontra gargalos

O especialista observa que o maior desafio atual do setor é encontrar produtos voltados para a classe média que caibam no orçamento das famílias. Com a Selic elevada e o crédito mais restrito, construtoras passaram a apostar em apartamentos compactos de padrão superior e em projetos multifamily voltados para locação.

“A gente tem visto uma dificuldade crescente de encaixar produtos para a classe média dentro de um ticket possível de pagamento. Por isso, surgem apartamentos menores, mas com padrão mais sofisticado, além de projetos específicos para locação”, explicou.

Apesar do aquecimento no segmento econômico, o presidente da Ademi reconhece que o mercado de médio padrão enfrenta dificuldades em todo o país. “A taxa Selic acima de 14% dificulta o acesso ao crédito para as famílias de classe média e impacta diretamente a demanda por imóveis de três e quatro dormitórios”, disse.

A estagnação dos mercados de médio e alto padrão estão presentes também em outras capitais do Nordeste analisadas pela Brain, como Teresina, Salvador e Natal. Porém, com as mudanças recentes nas faixas de renda e dos valores de imóveis do MCMV, esse público começa a ser atendido com melhores preços e taxas de juros reduzidas.

Recife lidera vendas e faturamento

Embora grande parte dos lançamentos esteja migrando para cidades metropolitanas, Recife continua concentrando as vendas e a movimentação financeira do setor. A capital registrou 1.388 unidades comercializadas entre janeiro e março, crescimento de 26% sobre o mesmo período de 2025. O Valor Geral de Vendas (VGV) disparou 51%, alcançando R$ 628 milhões no trimestre.

Na Região Metropolitana, as vendas tiveram leve recuo de 8%, com 1.742 contratos fechados. Ainda assim, o mercado acumulou a comercialização de 12.252 imóveis nos últimos 12 meses, movimentando R$ 6 bilhões em VGV no período.

O levantamento também mostra valorização contínua do metro quadrado na capital. O preço médio chegou a R$ 11.215 por metro quadrado. Os imóveis de um dormitório seguem liderando o ranking de valorização, com média de R$ 15.648/m², impulsionados pela procura de investidores. Já os apartamentos de dois quartos fecharam o trimestre em R$ 9.295/m², enquanto os de três quartos atingiram R$ 11.442/m². As unidades de quatro dormitórios mantiveram média de R$ 12.975/m².

Imbiribeira, Várzea e Vasco da Gama lideram vendas

Entre os municípios da Região Metropolitana, São Lourenço da Mata liderou os lançamentos do trimestre, concentrando 36% das novas unidades, impulsionado pelos empreendimentos ligados ao Minha Casa Minha Vida. Paulista apareceu em seguida, com 28,2%, enquanto o Recife respondeu por 25,4% das novas ofertas.

Dentro da capital, os bairros da Caxangá, Paissandu, Boa Viagem e Parnamirim concentraram a maior parte dos lançamentos. Já nas vendas, a liderança ficou com a Imbiribeira, responsável por 26,8% das unidades comercializadas, seguida pela Várzea e Vasco da Gama.

Leonardo Queiroz avalia que o fortalecimento do segmento econômico é resultado de uma combinação entre políticas públicas e mudanças urbanísticas. “O programa Morar Bem, aliado à revisão do Plano Diretor do Recife, possibilitou novos lançamentos em bairros que hoje aparecem entre os mais vendidos da cidade”, afirmou.

Mesmo com o cenário desafiador para parte do setor, a avaliação do mercado é de estabilidade. O estoque final auditado pela Brain fechou o trimestre com 5.836 unidades disponíveis no Recife e 3.963 unidades na Região Metropolitana, patamar considerado saudável pelo setor.


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