O setor de construção civil no Brasil vive um momento interessante, combinando crescimento operacional com uma pressão nos custos de mão de obra. O principal índice de custos do setor, o INCC-M, trouxe um arrefecimento da inflação em março, acumulando alta de 5,81% nos últimos 12 meses, 1,5 p.p. abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025. No entanto, o movimento dentro dos componentes do índice mostram direções bem distintas: enquanto os materiais registram uma alta de 3,55% no acumulado anual na última leitura, 2,4 p.p. abaixo do mesmo período do ano anterior – nível inclusive inferior à inflação ao consumidor medida pelo IPCA (+4,14% no período) –, os custos com mão de obra alcançaram +9,04% nos últimos 12 meses, puxando a média do indicador cheio para cima. O setor enfrenta concorrência pela força de trabalho de outros segmentos da economia, principalmente nas grandes metrópoles, levando a um gradual incremento salarial médio para retenção e contratação de trabalhadores.
Vale observar que, mesmo com uma remuneração média mais pressionada, o setor criou 95 mil novos postos de emprego nos últimos 12 meses segundo dados do CAGED, o equivalente a cerca de 9% de todos os empregos formais gerados no Brasil no período. A atividade vem sendo majoritariamente puxada pelo desenvolvimento de novas unidades residenciais de segmento econômico, que, conforme os dados finais de 2025 divulgados pela Abrainc, foi responsável por 87% dos lançamentos imobiliários no Brasil no ano, com evolução no número total de unidades vendidas mesmo sobre uma base forte de comparação. O segmento se beneficia das condições favoráveis de programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida, que inclusive teve aprovação para atualizações nos valores financiáveis e renda familiar para enquadramento nas faixas do programa, incrementando o público endereçável e ampliando o potencial do segmento para 2026.
Além disso, imóveis de padrão mais elevado podem vir a contar com condições de financiamento mais competitivas que as atuais ao longo do ano, tendo em vista o ciclo de cortes na Selic iniciado em março, que embora tenha se dado em um ritmo mais leve que o esperado anteriormente, marca o fim do período de taxa básica de juros no nível mais restritivo dos últimos 20 anos no país, e deixa expectativas para novos cortes até 12,5% ao final do ano, conforme estimativas dos economistas no último Boletim Focus.
Nesse relatório setorial, comentamos sobre esses temas, bem como os movimentos nas fontes de financiamento, com resgates líquidos na poupança e recordes na captação e contratação de financiamentos via FGTS, leve redução nas taxas de juros médias para o setor, indicadores de confiança da indústria e utilização de capacidade, bem como os movimentos de mercado ao longo do mês de março.
Destaques desta edição:
Dados de Confiança
Confiança da Construção (ICST) avança na leitura de março, acompanhado de avanços tanto no indicador de Situação Atual como no Nível de Expectativas.
Indicadores de Atividade
Conjunto de indicadores da Sondagem da Indústria da Construção apresenta direção mista na última leitura.
Fontes de Recursos e Novas Contratações
Poupança registra resgates líquidos em todos os meses de 2026, e contratações de financiamentos utilizando seus recursos seguem em queda. Já a arrecadação e contratações via FGTS renovam recordes.
Dados de Crédito e de Emprego
Setor de construção avança em representatividade na economia formal doméstica, enquanto as taxas médias de juros para crédito recuam em fevereiro.
Índice de preços
INCC-M fica estável na leitura anual e acumula 5,81% nos últimos 12 meses. Ainda pressionando o indicador cheio, o componente mão de obra quebra sequência de 6 leituras consecutivas em desaceleração e sobe na base anual.
Dados de Mercado – Construção Civil
O principal índice setorial Imobiliário registrou queda acentuada em março, recuando 9,4% no mês e devolvendo toda valorização de fevereiro. Já o Ibovespa apresentou movimento mais suave, caindo 0,7% no período.
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