Um novo programa anunciado pelo governo federal, batizado de EDinova, vai estimular a descarbonização da construção civil no Brasil com financiamento governamental e parcerias entre centros de pesquisa, universidades e o setor privado.
Em coordenação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o EDinova, lançado em Brasília pela ministra Luciana Santos, quer avançar a agenda climática global que exige a redução das emissões associadas à infraestrutura urbana.
De acordo com o MCTI, a proposta não deve se limitar ao fator de eliminação das emissões, mas vai focar também no combate às consequências do avanço das mudanças climáticas, por meio de melhorias no conforto térmico de moradias e iniciativas para reduzir o consumo energético.
Outro campo importante será a criação de novos empregos por meio da qualificação industrial e técnica.
O projeto recebe financiamento do Global Environment Facility (GEF), um fundo internacional dedicado ao financiamento de políticas ambientais, com implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e coexecução do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).
Segundo o MCTI, o orçamento estimado do fundo ultrapassa R$ 350 milhões, considerando recursos internacionais e contrapartidas federais.
A construção civil é um dos setores mais considerados para políticas climáticas devido à rápida expansão dos centros urbanos, que requer industrialização intensiva e utiliza recursos energéticos para a produção de cimento, aço, demolição e climatização.
Segundo dados utilizados pelo próprio projeto EDinova, o setor da construção no Brasil emite cerca de 139 milhões de toneladas de CO₂ por ano.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente afirma que edifícios e construção já respondem por aproximadamente 37% das emissões globais relacionadas à energia, incluindo as emissões incorporadas (relacionadas aos materiais usados nas construções) e as emissões operacionais decorrentes do uso contínuo de energia nos prédios.
O EDinova vai ter algumas grandes frentes: o apoio à inovação tecnológica, com coordenação regulatória entre diferentes governos; mecanismos de financiamento público; e a produção de dados ambientais para monitoramento.
O objetivo é permitir o uso de materiais de menor emissão, desenvolver tecnologias de isolamento térmico e novos métodos de construção sustentáveis.
O projeto quer focar, também, na obtenção de certificações ambientais que podem melhorar a posição do Brasil no setor e atrair investimentos, com ferramentas padronizadas de cálculo de carbono.
Diferentes cidades têm exigências distintas sobre eficiência energética, licenciamento ambiental e padrões construtivos, o que dificulta a expansão de soluções sustentáveis em escala nacional.
A principal estratégia do EDinova será o retrofit, conceito que prioriza reformas da infraestrutura em relação às demolições.
A modernização dos edifícios antigos envolve torná-los mais sustentáveis e adaptados às condições ambientais e climatológicas, o que inclui melhoria da ventilação e do isolamento térmico, inclusão de energia solar para substituir a climatização comum e atualização dos sistemas elétricos.