Retrofit de luxo invade bairros nobres em SP e Rio

em Portas, 19/fevereiro

Mercado de requalificação de prédios antigos avança com foco no alto padrão e novas oportunidades residenciais; apartamento em antigo consulado é avaliado em R$ 35 milhões.

O retrofit, modernização de prédios antigos para novos usos, tradicionalmente associada a regiões mais centrais das cidades, agora têm conquistado espaço em bairros nobres. Eles aparecem, por exemplo, nos Jardins e Itaim Bibi, regiões de São Paulo com alto valor do metro quadrado.

O movimento ocorre porque algumas incorporadoras estão aproveitando terrenos privilegiados para converter edifícios antigos em empreendimentos de luxo. E os preços são atraentes para um público de alta renda.

Reformas de alto padrão em São Paulo

Um exemplo é o PJM923, localizado no antigo prédio do Consulado Americano, nos Jardins. O projeto, assinado pelo arquiteto Isay Weinfeld, transforma o edifício em 16 apartamentos de 580 metros quadrados. Cada unidade está avaliada em até R$ 35 milhões.

Metade dos apartamentos já foi comercializada, segundo Rodolfo Del Valle, sócio do empreendimento, ouvido pela Forbes Brasil. Segundo ele, um dos destaques do projeto é o paisagismo de Rodrigo Oliveira, que traz impacto e garante compradores.

Outro destaque é o Edifício Tânia, também nos Jardins. Com retrofit liderado pela Planta, o imóvel terá 14 unidades, com valores a partir de R$ 4 milhões. A mesma empresa também atua no Edifício Victória, no Itaim Bibi, onde foram projetadas 110 unidades residenciais, duas lajes corporativas e lojas. O preço inicial do metro quadrado é de R$ 28 mil, e a entrega está prevista para 2027.

Expansão e parcerias no mercado imobiliário

Por trás do crescimento do retrofit de luxo está o interesse do mercado por requalificação de imóveis. A Planta, que anteriormente se concentrava na em projetos no Centro de São Paulo, vendeu cinco empreendimentos para a Brookfield Properties por R$ 250 milhões em 2024. Essa foi a largada para investir em retrofits nos bairros mais nobres.

Além disso, o segmento multifamily – edifícios residenciais geridos por uma única empresa – também tem se beneficiado da tendência. O Vila 11 Brooklin, por exemplo, nasceu de uma torre corporativa transformada em residencial. Com investimento de R$ 75 milhões, o prédio oferece 132 apartamentos destinados à locação com preços entre R$ 6 mil e R$ 11 mil ao mês. “Novos projetos de retrofit já estão em estudo em bairros estratégicos da capital”, afirma o diretor de marketing e comercial da Vila 11, Jorge de Moraes.

A XP Investimentos também entrou no mercado de retrofit ao financiar a Metaforma, empresa responsável por transformar o antigo prédio da Telesp, ou ‘Edifício 7 de Abril’, no Centro. O empreendimento combina diversas configurações, incluindo algumas voltadas ao público de alta renda.

Outro exemplo no setor é a Dupllex, criada em 2021 por Gustavo Saraiva e Marcus Grigoletto. A empresa se especializou no retrofit de coberturas, com foco em imóveis localizados em prédios com mais de 30 anos de construção. A empresa já acumulou um Valor Geral de Vendas (VGV) superior a R$ 200 milhões, com ticket médio de R$ 7 milhões.

A ideia surgiu ao perceberem, durante a pandemia, que havia demanda por reformas estruturais em coberturas antigas. Eram projetos desproporcionais e desatualizados, com potencial para se tornar “um nicho do nicho”.

Retrofit avança também no Rio de Janeiro

Na Cidade Maravilhosa, o movimento também ganha força. Um exemplo é o antigo Hotel Glória, que está sendo convertido em um condomínio residencial. Os preços ultrapassam R$ 35 mil por metro quadrado.

Já o icônico Edifício A Noite, antiga sede da Rádio Nacional, transformou-se em um empreendimento misto: são 447 apartamentos além de áreas comerciais.


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