Após 12 anos, Iphan libera condomínio de até 700 apartamentos em área histórica do Centro do Rio

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 24/setembro

Projeto das incorporadoras SIG e Performance prevê duas torres de até 64 metros na Avenida Antônio Carlos, com boulevard entre os prédios e vista para conjunto centenário da Santa Casa da Misericórdia.

Um dos últimos terrenos disponíveis para novas construções na Avenida Antônio Carlos, no Centro do Rio, poderá finalmente receber um empreendimento residencial. Após 12 anos de negociações, o Iphan emitiu parecer favorável ao projeto das incorporadoras SIG e Performance, que prevê um condomínio com duas torres e entre 500 e 700 apartamentos.

O empreendimento será incluído no Reviver Centro e ocupará um terreno de aproximadamente 3,4 mil m², vizinho ao complexo da Santa Casa da Misericórdia. A proposta prevê duas torres separadas por um espaço livre, formando uma espécie de boulevard, com área aberta voltada para a circulação de pedestres e para a valorização do entorno histórico.

A área é de propriedade da SIG, da Performance e da própria Santa Casa, que participa do negócio como permutante e ficará com parte das lojas e dos apartamentos do empreendimento.

A proximidade com imóveis tombados foi justamente um dos principais pontos de discussão ao longo dos últimos anos. A área fica cercada por três bens protegidos pelo Iphan, que inclui além da instituição hospitalar, a antiga sede do Ministério da Fazenda e a Igreja de Santa Luzia.

"É fundamental que esse processo aconteça em diálogo com a história da cidade. O projeto valoriza o conjunto arquitetônico da Santa Casa e mostra que desenvolvimento e preservação do patrimônio podem caminhar juntos” afirmou Renato Leite, CEO da Performance, ao DIÁRIO DO RIO.

Projeto mudou ao longo das negociações

Quando as tratativas com o Iphan começaram, a proposta era diferente. O terreno receberia um empreendimento comercial, com lajes corporativas. Segundo Otávio Grimberg, fundador e presidente da SIG Engenharia, empresas dos setores de óleo e gás chegaram a ser consideradas como potenciais ocupantes. O projeto previa, inicialmente, um único bloco, ocupando o terreno de ponta a ponta. Com o avanço das negociações e, posteriormente, a criação do Reviver Centro, o desenho foi reformulado.

A principal mudança foi a criação de um espaço livre entre as duas torres, justamente para preservar a visibilidade do conjunto histórico. “Terá um espaço livre entre as torres para permitir que aquele que passar pela área possa observar o prédio da Santa Casa na Rua Santa Luzia, valorizando o imóvel como patrimônio histórico. Nós já demos entrada no projeto na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU). A partir da aprovação, a expectativa é que a obra dure entre 24 e 30 meses”, explicou Grimberg.

Pelas regras definidas nas negociações com o Iphan, as duas torres não poderão ultrapassar 64 metros de altura. O limite toma como referência o prédio da antiga sede do Ministério da Fazenda, localizado em frente ao terreno. O projeto é da RAF Arquitetura.

Para o órgão, a construção de novos empreendimentos no entorno de imóveis tombados é possível, desde que sejam respeitados os critérios de preservação. “A presença de novos empreendimentos no entorno de imóveis tombados é possível, desde que os projetos atendam aos critérios de preservação e não comprometam a ambiência e a visibilidade dos bens protegidos”, afirmou o instituto em nota oficial.


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