O preço médio dos imóveis anunciados para venda no Rio subiu 4,8% entre o terceiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, passando de R$ 1,1 milhão para R$ 1,15 milhão. A valorização, porém, foi desigual entre os bairros: enquanto a Portuguesa, na Ilha do Governador, registrou alta de 38%, Santa Cruz teve queda de 14,7%, a maior entre os bairros mais desvalorizados, desconsiderando o Joá.
Os dados são de um levantamento da Loft, que analisou cerca de 1,16 milhão de anúncios de casas e apartamentos à venda em 113 bairros cariocas. Ao todo, 78 bairros tiveram aumento nos preços no período.
Além da Portuguesa, outros bairros da Zona Norte aparecem entre os destaques positivos. Moneró teve alta de 23,9%, Inhaúma avançou 20% e Bancários registrou valorização de 19,3%. Na Zona Sul, Flamengo e Catete tiveram aumentos de 15,3% e 15%, respectivamente, enquanto Laranjeiras registrou alta de 12,3%.
Os números consideram o preço médio dos imóveis anunciados, indicador que pode variar conforme o tamanho e o perfil das propriedades ofertadas. Por isso, a análise do valor do metro quadrado ajuda a identificar se a valorização está relacionada também ao encarecimento dos imóveis, e não apenas à oferta de unidades maiores.
Portuguesa tem alta de 38%; veja os bairros que mais valorizaram
A Portuguesa lidera o ranking de valorização, mas parte do aumento está relacionada à mudança no perfil dos imóveis anunciados. No bairro, a área média das propriedades ofertadas subiu 35,1%, chegando a 102,6 metros quadrados. Já o preço por metro quadrado avançou 3,7%.
Em Bancários, o cenário é semelhante: o preço médio subiu 19,3%, enquanto a área média aumentou 27,7%. O valor do metro quadrado, por outro lado, recuou 0,9%.
Em outros bairros, a valorização foi acompanhada por um avanço mais expressivo no preço por metro quadrado. Em Inhaúma, esse indicador subiu 12,5%. No Flamengo, a alta foi de 5,1%; no Catete, de 6,9%; e em Laranjeiras, de 6,5%.
A tabela abaixo reúne alguns dos principais destaques do levantamento.
| Bairro | Preço médio anunciado em 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| Portuguesa | R$ 558,7 mil | +38,0% |
| Moneró | R$ 661,5 mil | +23,9% |
| Inhaúma | R$ 226,8 mil | +20,0% |
| Bancários | R$ 408,1 mil | +19,3% |
| Flamengo | R$ 1,38 milhão | +15,3% |
| Catete | R$ 673,3 mil | +15,0% |
| Laranjeiras | R$ 1,13 milhão | +12,3% |
| Santo Cristo | R$ 476,5 mil | +11,3% |
Fonte: Loft. Comparação entre o terceiro trimestre de 2025 e o terceiro trimestre de 2026. Valores médios dos imóveis anunciados para venda.
Santa Cruz, Guaratiba e Bangu têm algumas das maiores quedas
Na outra ponta do mercado, bairros da Zona Oeste e da Zona Norte concentram parte das maiores desvalorizações. Santa Cruz teve queda de 14,7%, com preço médio anunciado de R$ 110 mil. Em Guaratiba, o recuo foi de 14,5%, enquanto Bangu registrou baixa de 11,9%.
A Zona Norte também aparece no ranking negativo, com a Pavuna apresentando queda de 12,4%. Em Jacarepaguá, na Zona Oeste, os preços recuaram 9,7%.
O valor do metro quadrado também caiu em boa parte desses bairros. Em Bangu, a redução foi de 8,4%; em Santa Cruz, de 7,8%; e na Pavuna, de 4,2%. Em Guaratiba, a queda chegou a 2,4%.
O Joá registrou a maior desvalorização de toda a pesquisa, com recuo de 18,1%. O bairro, porém, tem características bastante diferentes das demais localidades no ranking: o preço médio anunciado ficou perto de R$ 5 milhões, e a área média dos imóveis chegou a 680,7 metros quadrados.
| Bairro | Preço médio anunciado em 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| Joá | R$ 4,96 milhões | -18,1% |
| Santa Cruz | R$ 110 mil | -14,7% |
| Guaratiba | R$ 243,9 mil | -14,5% |
| Pavuna | R$ 123,6 mil | -12,4% |
| Bangu | R$ 214,9 mil | -11,9% |
| Jacarepaguá | R$ 443,4 mil | -9,7% |
| Paciência | R$ 123,7 mil | -9,6% |
| Inhoaíba | R$ 146,5 mil | -9,4% |
Fonte: Loft. Comparação entre o terceiro trimestre de 2025 e o terceiro trimestre de 2026.
Joá tem os imóveis mais caros; Santa Cruz, os mais baratos
Apesar da queda registrada no período, o Joá continuou sendo o bairro com o maior preço médio anunciado na cidade, próximo de R$ 5 milhões. Na sequência aparecem Urca e Ipanema, ambos com valores médios próximos de R$ 3 milhões.
Leblon, São Conrado e Lagoa também estão entre os bairros mais caros do Rio. O preço médio anunciado no Leblon foi de R$ 2,86 milhões, enquanto em São Conrado chegou a R$ 2,68 milhões.
No extremo oposto, Santa Cruz apresentou o menor preço médio, de R$ 110 mil. Pavuna e Paciência vieram em seguida, ambas com imóveis anunciados por valores médios próximos de R$ 123 mil. A diferença entre o preço médio no Joá e em Santa Cruz é de aproximadamente 45 vezes.
No conjunto da cidade, a área média dos imóveis anunciados passou de 108 para 108,8 metros quadrados, alta de 0,7%. A variação mediana do preço entre os 113 bairros foi de 3,2%, enquanto a do metro quadrado ficou em 1,2%.
Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, a alta dos preços em bairros como Flamengo, Catete e Laranjeiras foi acompanhada pela valorização do metro quadrado, indicando um movimento que não se explica apenas pela mudança no perfil dos imóveis ofertados. Já em Santa Cruz, Guaratiba e Bangu, a queda também apareceu no valor por metro quadrado.
O levantamento compara anúncios publicados entre julho e setembro de 2025 com os do mesmo período de 2026. Para entrar nos rankings, os bairros precisavam ter pelo menos 300 anúncios em cada trimestre. Os valores refletem preços pedidos pelos vendedores, e não necessariamente os valores finais das transações.