Grande nome do mercado imobiliário carioca, Henrique Blecher já dizia que a Barra da Tijuca poderia chegar lá. Durante anos, a afirmação soaria como provocação em um mercado acostumado a concentrar os metros quadrados mais caros do Rio entre a Delfim Moreira, no Leblon, e a Vieira Souto, em Ipanema. Agora, a Barra tem um número para colocar na mesa: R$ 62 mil.
É quanto chegou a valer o metro quadrado de uma unidade do ATTO Design by Pininfarina, residencial de frente para o mar na Avenida Lúcio Costa, tocado pela ARKT Incorporadora. O preço leva a região a um patamar pouco comum fora dos endereços mais nobres da Zona Sul.
Segundo levantamento do Secovi Rio citado pela incorporadora, o metro quadrado médio comercializado no entorno está em torno de R$ 25 mil. A unidade negociada ficou 148% acima da média da região. As vendas mais recentes, concentradas nos andares mais altos, chegaram a esse valor. Nas demais unidades comercializadas, a média está na casa dos R$ 56 mil por metro quadrado.
A assinatura que entra na conta
A vista para o mar ajuda, mas não explica sozinha o preço. O residencial é o primeiro empreendimento assinado pela Pininfarina no Rio, tradicional casa italiana de design conhecida pelos projetos de automóveis para marcas como Ferrari e Maserati. Serão apenas 20 residências de frente para o mar, com metragens entre 467 m² e 1.189 m². O VGV estimado é de R$ 600 milhões. O projeto reúne arquitetura autoral, design italiano e certificação internacional de bem-estar.
A chegada de grifes também começa a mudar o perfil dos lançamentos na Barra. O bairro, conhecido por condomínios amplos e apartamentos de grandes dimensões, passa a receber projetos em que a marca faz parte do conceito do produto, os chamados branded residence. Na Ilha Pura, o Pura by Artefacto leva a assinatura da tradicional marca brasileira de mobiliário de alto padrão. Já o Marino By Breton, na quadra da praia, une a incorporadora Avanço à grife de móveis Breton.
Cobertura de R$ 80 milhões
O residencial já havia chamado atenção antes de alcançar os R$ 62 mil por metro quadrado. Uma cobertura foi lançada por R$ 80 milhões, entre os valores mais altos pedidos por uma unidade residencial em um lançamento no Rio. O preço quase dobrava o de uma cobertura do TOM, na Delfim Moreira, no Leblon, anunciada na faixa dos R$ 45 milhões.
Blecher defende desde 2020 que a Barra pode se consolidar entre os endereços mais valorizados do Rio. Para ele, os novos preços acompanham o amadurecimento do bairro e as características que vêm sustentando a valorização da região. “Desde 2020, defendo que a Barra da Tijuca caminha para se consolidar como um dos endereços mais valorizados do Rio. Há poucos meses, também dizia que o ATTO alcançaria uma faixa de preço inédita para a região, superando, em valor por metro quadrado, muitos empreendimentos localizados na Zona Sul”, afirma.
Na avaliação do empresário, o movimento também está relacionado à infraestrutura e aos serviços disponíveis na Barra, além dos avanços de mobilidade e conectividade. “Isso demonstra o amadurecimento do bairro, a força do seu público, a qualidade da infraestrutura, dos serviços e das características naturais da Barra, além dos ganhos contínuos de mobilidade e conectividade que tornam a região cada vez mais desejada”, diz.
A fundação do prédio reúne 42,5 toneladas de aço e 750 m³ de concreto, volume equivalente a 94 caminhões. Na etapa de escavação, foram removidos cerca de 16 mil m³ de material, o correspondente a aproximadamente 1.150 caminhões. Entre os destaques está uma das maiores sapatas já executadas em um residencial da região, com quase 140 m², que recebeu 400 m³ de concreto especial com gelo e 23,6 toneladas de aço. A laje de subpressão também impressiona: são 471 m³ de concreto e 62,3 toneladas de aço.