Boom dos data centers impulsiona o mercado imobiliário no Brasil

em Correio Braziliense / Economia, 6/julho

Avanço da inteligência artificial exige estruturas gigantescas; entenda como isso atrai investimentos e movimenta bilhões em novas construções.

A inteligência artificial generativa e a computação em nuvem estão entre os segmentos de tecnologia com maior previsão de crescimento no Brasil. Embora associadas ao ambiente digital, essas operações dependem de estruturas físicas de grande porte, o que coloca os data centers como uma nova frente de expansão para o mercado imobiliário.

O Brasil deve receber R$ 2 trilhões em investimentos em tecnologias digitais entre 2026 e 2029, segundo o "Relatório Setorial 2025" da Brasscom. Os maiores volumes previstos são para computação em nuvem, com R$ 765,6 bilhões, e inteligência artificial, com R$ 736,6 bilhões. O crescimento médio anual esperado para as áreas é de 21% e 20%, respectivamente.

O país já lidera a infraestrutura digital na América Latina, com 48% da capacidade instalada de data centers em operação na região, aponta um relatório da consultoria JLL. Para Renato Monteiro, CEO da Sort Investimentos, operadores globais veem o Brasil como mercado prioritário devido à combinação de demanda crescente, oferta de energia renovável e políticas de incentivo.

“O data center é a tradução física da economia digital. São estruturas que exigem terrenos maiores, energia em alta capacidade, sistemas de refrigeração, segurança, redundância elétrica, conectividade por fibra óptica e licenciamento adequado”, afirma Monteiro.

Polos estratégicos pelo Brasil

A maior concentração de data centers ainda ocorre em locais como Barueri, Alphaville, Campinas e Fortaleza. Essas regiões se destacam pela proximidade com grandes empresas, mercado consumidor, redes de telecomunicações e infraestrutura elétrica.

No caso de Fortaleza, o avanço é impulsionado pela posição do Ceará como o terceiro estado do Brasil com mais estruturas de cabos submarinos, concentrando a ancoragem de 17 deles. Com o aumento da demanda, outras regiões, incluindo o Sul do país, também começam a ganhar relevância.

“Esse é um segmento que deve crescer de forma consistente nos próximos anos. À medida que empresas, governos e consumidores passam a depender mais de inteligência artificial, nuvem e serviços digitais, aumenta também a necessidade de estruturas físicas capazes de processar, armazenar e proteger esses dados. Para o mercado imobiliário, isso representa uma nova frente de desenvolvimento e investimento”, completa Monteiro.


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