Um dos casarões mais charmosos da Lapa acaba de ganhar um novo destino. O imóvel centenário localizado na Avenida Mem de Sá, conhecido pela fachada exuberante e pelos detalhes inspirados no art nouveau, foi vendido pela imobiliária Sérgio Castro Imóveis para a empresa Glória Empreendimentos, de investidores paulistas, que já iniciaram obras de recuperação no prédio tombado.
Erguido em 1911, o casarão é considerado um dos exemplares mais marcantes do estilo eclético na região central do Rio. A construção chama atenção pelas referências ao art nouveau presentes na ornamentação da fachada, marcada por elementos florais e arbóreos em estuque, colunas trabalhadas e sacadas em ferro fundido e argamassa. Entre os detalhes mais curiosos estão os coqueiros reproduzidos na fachada, espécie de assinatura tropical que transformou o imóvel em uma das construções mais pitorescas do corredor arquitetônico da Lapa.
O imóvel estava há algum tempo no mercado e vinha enfrentando um processo gradual de deterioração. Apesar de já ter passado por intervenções anteriores, a falta de manutenção acabou comprometendo parte da estrutura e dos acabamentos originais. Agora, a proposta dos novos proprietários é recuperar o casarão respeitando as exigências de preservação impostas pelo tombamento e, posteriormente, disponibilizar o espaço para locação.
Corredor histórico em transformação
O casarão integra um dos trechos mais movimentados da badalada Avenida Mem de Sá, região que concentra edifícios históricos hoje ocupados por bares, restaurantes, boates e casas noturnas que ajudam a sustentar a vocação boêmia da Lapa. Nos últimos anos, o corredor vem atraindo investidores interessados em imóveis históricos, impulsionados pela valorização, e principalmente, pelo alto rendimento, fruto do movimento intenso aos finais de semana.
A Lapa está entre as áreas mais antigas da ocupação urbana carioca. A história da região começa em 1751, com a fundação da Igreja de Nossa Senhora da Lapa do Desterro. O bairro começou a ganhar densidade urbana de forma mais intensa após a chegada da família real portuguesa, em 1808, e consolidou sua fama boêmia no fim do século XIX, quando os botequins e casas noturnas passaram a ocupar a região.