O mercado de capitais começa a ocupar uma etapa ainda pouco explorada no financiamento imobiliário: o crédito para o comprador quitar a dívida com a incorporadora depois da entrega das chaves. Segundo reportagem do Estadão, a proposta é suprir a lacuna deixada pelo crédito bancário tradicional, que encolheu com a redução dos recursos da poupança.
Setor já tem R$ 700 bilhões fora do sistema bancário
Segundo a Comissão de Valores Mobiliários, o setor imobiliário reúne R$ 700 bilhões em instrumentos de mercado de capitais. Desse total, R$ 375 bilhões estão em fundos, R$ 245 bilhões em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e R$ 80 bilhões em debêntures.
Poupança restringiu novas contratações
O crédito imobiliário com origem na poupança somou R$ 156 bilhões em 2025, queda de 13% em relação aos R$ 180 bilhões de 2024, segundo a Abecip. A retração de R$ 24 bilhões reduziu a capacidade dos bancos de sustentar novas operações justamente em um momento de forte necessidade de repasse.
Novos imóveis em São Paulo ampliam pressão por soluções
A Galápagos Capital estima a entrega de 150 mil moradias em 2026 apenas na cidade de São Paulo, avaliadas em cerca de R$ 90 bilhões. Como a etapa pós-chaves costuma exigir financiamento de 60% a 70% do valor do imóvel comprado na planta, a demanda potencial de crédito pode chegar a R$ 55 bilhões ou R$ 60 bilhões, hoje sob risco de taxas mais altas, menor oferta e até distratos.