FGV se antecipa e já apresenta projeto de edifício para terreno do Grupo Sendas, em Botafogo

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 31/janeiro

O estudo arquitetônico antecipa um novo uso para o imóvel que, há mais de cinco décadas, abriga atividades comerciais e que hoje está no centro de uma disputa envolvendo a Prefeitura do Rio.

A Fundação Getúlio Vargas já elaborou um projeto detalhado para a possível implantação do Centro FGV Tecnologia e Futuro no terreno pertencente ao Grupo Sendas, na Rua Barão de Itambi, em Botafogo. O estudo arquitetônico e funcional antecipa um novo uso para o imóvel que, há mais de cinco décadas, abriga atividades comerciais ligadas ao setor supermercadista e que hoje está no centro de uma disputa judicial envolvendo a Prefeitura do Rio.

Segundo o projeto, o edifício teria seis pavimentos e seria estruturado para abrigar pesquisas avançadas, inovação tecnológica e produção de conhecimento. No subsolo, estão previstas áreas técnicas com infraestrutura energética dimensionada para operação de supercomputadores. O térreo funcionaria como espaço de interface com o público, reunindo galeria de arte com foco em inteligência artificial, café e biblioteca.

Os dois primeiros andares seriam dedicados à integração criativa, com laboratórios, auditórios e ambientes colaborativos. Já o terceiro pavimento concentraria subcentros de estudos específicos, além de laboratórios, área para eventos institucionais e núcleos de estudos científicos e estatísticos voltados à prevenção de doenças. A cobertura seria destinada a atividades de pesquisa e estudos avançados.

Desapropriação X Negociação com o Mundial

A proposta da FGV acontece em meio ao processo de desapropriação do imóvel iniciado pela Prefeitura do Rio no fim de novembro e dado em primeira mão pelo DIÁRIO DO RIO. Um decreto municipal declarou o terreno de utilidade pública para fins de renovação urbana e estabeleceu a posterior alienação por meio de hasta pública, mecanismo pelo qual o poder público fixa um valor e interessados disputam a compra em leilão.

A medida foi contestada judicialmente pelo Grupo Sendas, que afirma já ter firmado contrato para a continuidade da atividade comercial no local. A loja, que operava recentemente com a bandeira Pão de Açúcar, estava em obras para passar a funcionar como uma unidade do Mundial, segundo o grupo. Para os proprietários, a desapropriação ocorreu apesar da existência de contratos e autorizações em andamento.

Especialistas em direito imobiliário ouvidos pelo DIÁRIO DO RIO foram unânimes em atestar que a Prefeitura tem o poder – que eles chamam “de príncipe” – de desapropriar qualquer imóvel, devendo apenas para isto pagar o valor de mercado e cumprir a finalidade declarada no decreto de desapropriação.


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