Leilão da antiga sede da Petrobras na Candelária não atrai interessados; estatal avalia futuro do imóvel

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 30/outubro

Edifício de 7 mil metros quadrados foi oferecido por R$ 14 milhões, em segunda tentativa de venda; prédio foi primeira sede da estatal no Rio.

A tentativa de venda do prédio que abrigou a primeira sede administrativa da Petrobras no Rio terminou sem interessados. O leilão do Edifício Ultramarino, na Praça Pio X, foi encerrado no último dia 30 de setembro sem receber nenhum lance. A informação foi confirmada pela estatal ao DIÁRIO DO RIO.

Em nota, a Petrobras informou que suas áreas responsáveis estão avaliando alternativas estratégicas e administrativas para a destinação do imóvel. Caso seja decidida a realização de um novo leilão, o edital será divulgado no site da companhia, na área de Canais de Negócios, e no Diário Oficial da União.

O prédio foi colocado à venda em agosto, com lance inicial de R$ 14,364 milhões. Esta foi a segunda tentativa da Petrobras de negociar o imóvel em leilão. Em 2021, a estatal já havia oferecido o edifício por R$ 16,6 milhões, mas também não recebeu propostas. Na nova tentativa, o preço mínimo foi reduzido em cerca de R$ 2,2 milhões.

Com aproximadamente 7 mil metros quadrados de área construída, o Ultramarino foi oferecido por um valor equivalente a cerca de R$ 2 mil por metro quadrado. O edifício tem 12 pavimentos e sobreloja, mas apresenta problemas de conservação que podem exigir investimentos expressivos em uma eventual reforma ou adaptação. Esse custo também entra na conta de quem avalia a compra do imóvel.

A Petrobras ocupou o endereço nos primeiros anos de funcionamento da estatal, antes de transferir suas atividades para o Edise, na Avenida Chile, na década de 1970. Desde 2017, o prédio está vazio. Seu último ocupante foi a Secretaria Municipal de Habitação, que depois transferiu as atividades para o edifício da Prefeitura, na Cidade Nova.

Candelária recebe novos investimentos

A tentativa frustrada de venda ocorre em um momento de movimentação imobiliária na região da Candelária, com negociações de antigos edifícios e projetos de conversão para uso residencial e corporativo.

Um dos exemplos é o Edifício João Úrsulo Ribeiro Coutinho, projetado por Lúcio Costa. O prédio foi adquirido pela CIX Capital, em parceria com a Fator Realty, e teve 90% das unidades vendidas em apenas duas horas após o lançamento.

Mais recentemente, Sesc e Senac compraram três edifícios na própria Praça Pio X para reunir suas equipes em uma megassede corporativa. O projeto integra o antigo prédio da Universidade Cândido Mendes, arrematado em leilão há quase dois anos, a outros dois imóveis vizinhos. Um deles é a antiga sede do Banco Safra, fechada em 2024. As obras da chamada Unidade Centro dos Departamentos Nacionais estão previstas para começar em maio de 2027.

A movimentação também alcança o mercado de escritórios. Do outro lado da Candelária, a antiga sede do Banco Boavista, projetada por Oscar Niemeyer, foi adquirida pela Construtora Internacional. O projeto prevê cerca de R$ 100 milhões em investimentos para modernizar os 12,5 mil metros quadrados do imóvel e recolocá-lo no mercado corporativo.


Ver online: Diário do Rio / Mercado Imobiliário