Nordeste supera Sudeste e Sul em lançamentos de imóveis no 2º trimestre

em Paraíba Business / Economia, 2/outubro

Levantamento da CBIC em parceria com a Brain Inteligência Estratégica mostra Nordeste crescendo acima da média nacional em lançamentos e vendas no segundo trimestre de 2026, puxado pelo Minha Casa, Minha Vida — mesmo trimestre em que João Pessoa registrou estoque de 7.323 imóveis e crescimento estadual de 5,2% no mercado em 2025.

Os lançamentos de imóveis residenciais no Nordeste cresceram 24,6% no segundo trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica. As vendas na região avançaram 13,6% no mesmo comparativo, com o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) respondendo por 60% dos lançamentos regionais — participação ainda maior que a média nacional do programa, de 58%, a maior desde 2019.

Nordeste cresce mais que Sudeste e Sul, mas perde ritmo para o Centro-Oeste

O resultado do Nordeste no segundo trimestre supera a maioria das demais regiões do país. Em lançamentos, o Sudeste cresceu apenas 1,2% e o Sul registrou queda de 25,1%, enquanto o Norte recuou 35,2% — o Centro-Oeste foi a única região a crescer mais que o Nordeste, com alta de 19,1% nas vendas e desempenho ainda mais forte nos lançamentos. Em vendas, o Nordeste também ficou à frente do Sudeste (1,3%) e do Sul (0,2%), atrás apenas do próprio Centro-Oeste (27,7%) e do Norte (15%).

Um exemplo concreto ajuda a entender o que esses números significam no dia a dia do setor: no Brasil inteiro, o MCMV lançou 62.129 unidades no trimestre e vendeu 58.392 de um total de 113.676 unidades comercializadas — ou seja, mais da metade (51%) de tudo o que se vendeu em imóveis novos no país no período teve o programa habitacional federal como ponto de partida. No Nordeste, essa dependência do MCMV é ainda mais evidente, com 60% dos lançamentos vinculados ao programa.

Crédito imobiliário também acelera, com destaque para financiamento à construção

Por trás da expansão de lançamentos e vendas está o comportamento do crédito imobiliário. Os financiamentos via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) destinados à aquisição de imóveis somaram R$ 67,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 12% sobre igual período de 2025. Já o crédito para construção cresceu de forma ainda mais expressiva: R$ 26,5 bilhões, um salto de 107% na comparação anual — sinal de que incorporadoras e construtoras aumentaram significativamente a captação de recursos para erguer novos empreendimentos no período.

João Pessoa soma estoque de 7.323 imóveis e mantém ritmo de crescimento acima de 5% ao ano

Enquanto os números regionais da CBIC tratam o Nordeste como bloco único, o retrato local de João Pessoa, levantado pela Brain Inteligência de Mercado e apresentado na sétima edição do evento Mercado em Foco, mostra a capital paraibana com estoque de 7.323 unidades disponíveis no segundo trimestre de 2026, após crescimento de 5,2% do mercado imobiliário estadual ao longo de 2025. O panorama paraibano, embora medido por metodologia e recorte diferentes dos números nacionais da CBIC, caminha na mesma direção do movimento regional: mais lançamentos, mais crédito e um MCMV cada vez mais central na engrenagem do setor.

Ressalva: ritmo de oferta recua, sinal de demanda aquecida mas também de atenção ao estoque

Nem tudo no balanço do trimestre é só expansão. A oferta de imóveis disponíveis no Nordeste caiu 3,3% na comparação trimestral e 0,4% na anual — recuo compatível com a aceleração das vendas, mas que exige atenção das incorporadoras quanto à reposição do estoque para sustentar o ritmo de lançamentos nos próximos trimestres. Em um mercado cada vez mais dependente do MCMV, qualquer mudança nas regras ou no teto de financiamento do programa tende a ter efeito amplificado sobre a oferta futura de imóveis na região.


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