Cerca de sete mil edifícios na cidade de São Paulo têm potencial para retrofit, com expectativa de crescimento de 15% ao ano na próxima década. O setor pode movimentar cerca de R$ 40 bilhões por ano até 2040, com 80 mil unidades e participação próxima de 10% do mercado. Os dados foram apresentados pela Caixa Econômica Federal (Caixa) durante o 2º Seminário Internacional de Retrofit Urbano do SindusCon-SP, realizado nesta terça-feira, no Centro de Convenções Milenium, em São Paulo.
Ao abrir o evento, Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, destacou o sucesso da edição de 2025 do seminário e afirmou: “O sucesso desta edição reforça a importância do seminário para o avanço das políticas de revitalização urbana, especialmente em São Paulo, ao trazer referências internacionais aplicáveis às grandes cidades brasileiras.”
Na sequência, primeiro palestrante do evento, Cassiano Alves, superintendente executivo da CAIXA, destacou que o retrofit pode gerar valorização de até 30% no valor do metro quadrado e redução de até 30% nos custos operacionais. “O mercado anseia pela reocupação dos centros urbanos, que já contam com toda a infraestrutura instalada. É bom para todos, inclusive para o Estado, que tem a população de volta a esses locais”, disse.
O arquiteto brasileiro Marcio Uehara, da Nalin Uehara Architecture, na França, apresentou o premiado projeto Morland Mixité e o Reinventer Paris. Também mostrou o projeto In Vivo, que construiu três edifícios residenciais sobre uma linha de trem-bala, um deles já entregue.
Na sequência, o professor David Mangin, da École Nationale Supérieure d’Architecture de Paris-Belleville, apresentou o projeto Point du Jour, desenvolvido por Fernand Pouillon. Voltado à habitação popular, o empreendimento resultou em 2.260 unidades construídas em três anos e se destaca pela valorização do espaço público e pela longevidade, com cerca de 80 anos de existência.
Na parte da tarde, a programação trouxe projetos de Londres. O arquiteto Sebastien Ricard, da Wilkinson Eyre Architects, apresentou o Battersea Power Station, que transformou uma usina termoelétrica desativada em um complexo de uso misto, preservando elementos históricos e promovendo a requalificação do entorno urbano.
O professor Paulo Bruna, da FAU-USP, apresentou o projeto Barbican, implantado em área devastada pela Segunda Guerra Mundial e consolidado como referência internacional em reconstrução urbana, habitação de alta densidade e integração de usos, abrigando um dos maiores centros culturais da Europa, sede da Royal Shakespeare Company e da London Symphony Orchestra.
Além dos cases internacionais, o evento contou com palestras técnicas sobre soluções aplicadas ao retrofit. Entre os temas estiveram a modernização de elevadores, com José Waldemir Macari Junior, da Atlas Schindler, e o desempenho térmico de fachadas, com William Medeiros, da Sto Brasil.
Representando a Prefeitura de São Paulo, participaram Elisabete França, secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento; Rodrigo Goulart, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho; Ricardo Ferrari, presidente do Conselho de Preservação do Espaço Urbano; e Pedro Fernandes, presidente da SP Urbanismo. Também estiveram presentes Flavio Amary, presidente da Fiabci-Brasil; José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC; Paulo Amaral, diretor executivo da Caixa Econômica Federal em São Paulo; e Andrea Ribeiro Gomes, chefe de departamento da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo (SDUH).