Rio fecha 2025 com alta nas vendas de imóveis e valorização de 14,5% no metro quadrado

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 14/março

O mercado imobiliário do Rio de Janeiro fechou 2025 com R$ 14,2 bilhões em vendas e R$ 16,5 bilhões em lançamentos, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica para a Ademi-RJ. O ano também foi marcado pela valorização de 14,5% no preço médio do metro quadrado na cidade.

O mercado imobiliário do Rio de Janeiro fechou 2025 em alta, com avanço nas vendas, valorização do metro quadrado e demanda forte em segmentos como o Minha Casa, Minha Vida. Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (13) em reunião da Ademi-RJ, já sob a gestão do novo presidente da entidade, Leonardo Mesquita. As informações são do portal Tempo Real.

Segundo pesquisa da Brain Inteligência Estratégica para a Ademi-RJ, o Valor Geral Líquido (VGL) alcançou R$ 16,5 bilhões em 2025. O número representa crescimento de 27,8% em relação a 2024. Já o total de unidades lançadas ficou em 21.681, abaixo das 23.013 registradas no ano anterior.

Nas vendas, o Valor Geral Vendido (VGV) chegou a R$ 14,2 bilhões, alta de 7,4% frente aos R$ 13,2 bilhões de 2024. Houve, porém, queda no número de unidades vendidas. A retração foi de 11,1% na comparação entre os dois anos.

Para Leonardo Mesquita, o resultado também mostra uma virada nos preços. “Estamos diante de uma correção dos preços no Rio de Janeiro, um mercado que há muito tempo não via reajustes”, afirmou Leonardo Mesquita, ao comentar a valorização de 14,5% nos últimos 12 meses, que levou o preço médio geral a R$ 12.927 por metro quadrado.

O segmento de habitação de interesse social ganhou espaço no fim do ano. Entre outubro e dezembro de 2025, os imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida responderam por 39,6% das unidades vendidas, superando os empreendimentos de médio padrão, que lideravam no mesmo período de 2024.

No acumulado do ano, as vendas de unidades enquadradas no programa federal chegaram a 8.059, com crescimento de 2,9%. Os lançamentos, por outro lado, caíram 7,8%, somando 7.772 unidades. “Isso mostra que há boa demanda dos consumidores por imóveis MCMV”, disse Leonardo Mesquita.

O estoque disponível também entrou no radar do setor. A oferta final, resultado da conta entre lançamentos e vendas, ficou em 14.404 unidades no fim de 2025, com alta de 5,8% sobre 2024. Ainda assim, o presidente da Ademi-RJ avalia que o volume segue apertado para o tamanho da procura. “Ou seja, se o mercado imobiliário não lançasse mais nada, esse estoque seria capaz de abastecer a demanda por menos de sete meses, o que é muito pouco”, explicou Leonardo Mesquita.

O estudo da Brain também trouxe um retrato nacional. Em todo o país, os lançamentos cresceram 10,6% em 2025, chegando a 453.005 unidades. O VGL somou R$ 292 bilhões, contra R$ 265 bilhões em 2024. As vendas subiram 5,4% e o VGV avançou 3,5%, com estoque final de 347.013 unidades, volume suficiente para cerca de dez meses.

Segundo a consultoria, cinco em cada dez brasileiros pretendem comprar um imóvel nos próximos meses. Desses, 35% querem fechar negócio em até um ano. “O mercado está aquecido, apesar da taxa de juros alta”, afirmou Marcelo Gonçalves, sócio-consultor da Brain.

No dia anterior, o setor já havia mostrado outro retrato positivo no Panorama do Mercado Imobiliário, promovido pelo Secovi Rio no auditório da Fecomércio, no Flamengo. O encontro reuniu representantes de administradoras, imobiliárias, incorporadoras e condomínios, com foco no desempenho recente da cidade.

Vice-presidente de Locação e Comercialização Imobiliária do Secovi Rio, Leonardo Schneider destacou o comportamento dos preços nos últimos cinco anos. “O mercado imobiliário do Rio de Janeiro fechou o ano de forma muito positiva, em todos os segmentos. A venda valorizou 16% nos últimos cinco anos, um dado muito positivo. E o aluguel registrou uma grande valorização, em torno de 76% no mesmo período. O aluguel de temporada também, que é uma vocação que o Rio de Janeiro vem descobrindo e vem dando exemplos de forte demanda também”, disse Leonardo Schneider.

No evento, Marcelo Gonçalves também apresentou estudo feito para o Sinduscon-Rio e chamou atenção para o avanço dos lançamentos em algumas regiões da cidade. A Região Central, impulsionada por projetos como o Reviver Centro e o Porto Maravilha, aparece entre os principais vetores de crescimento imobiliário. Barra da Tijuca, Barra Olímpica, Jacarepaguá e São Cristóvão seguem entre os destaques.

Mesmo com juros altos e cenário externo instável, a avaliação do setor para 2026 segue otimista. “Apesar da taxa de juros em 15%, 2025 foi um ano muito promissor. E a perspectiva para este ano, que é um ano de eleições; com um possível aumento de inflação por causa da guerra; é muito boa. Nesse momento de incerteza, muita gente acaba procurando imóvel para investir, para ter uma proteção, busca um movimento mais conservador. Então acredito que 2026 seja um ano também muito promissor”, afirmou Leonardo Schneider.


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