Bairros velhos e população idosa: O desencontro imobiliário do Rio

em CNN Brasil / Duda Herriot, 6/outubro

Entre 2010 e 2022, número de pessoas por domicílio caiu 13,5% no Rio de Janeiro, mais de um terço da população possuía mais de 60 anos de idade em bairros como Leblon e Méier.

No Rio de Janeiro há bairros que envelheceram junto com a sua população, e isso pode estar criando um problema pouco discutido.

Entre 2010 e 2022, os bairros que mais cresceram no Rio em termos de domicílios ocupados foram aqueles que estavam nas regiões de expansão da cidade.

Guaratiba, por exemplo, cresceu quase 70%, enquanto a Barra da Tijuca cresceu 67%. Na outra ponta, os bairros mais consolidados perderam moradores, como o Leblon, que perdeu cerca de 18%, e o Méier, que perdeu 20%.

Mas quem ficou nos bairros que estão perdendo esses moradores?

Entre 2010 e 2022, o número de pessoas por domicílio caiu 13,5% no Rio de Janeiro, enquanto no Leblon e Méier, mais de um terço da população possuía mais de 60 anos de idade.

Além disso, de acordo com o Bel Radar, cerca de 72% dos apartamentos no Leblon estão em prédios anteriores a 1980. No Méier, essa média bate 52%.

Quando se fala na Barra da Tijuca, essa porcentagem ficou em torno de 10%. Ou seja, enquanto as pessoas e alguns bairros envelhecem, a cidade nova parece estar sendo construída em outro lugar.

Logo, parece existir uma espécie de desencontro acontecendo bem diante dos nossos olhos. De um lado, bairros antigos, com uma população mais velha e um estoque imobiliário antigo também. Do outro, bairros onde a cidade continua construindo e colocando produtos novos no mercado.

Afinal de contas, o produto novo não está chegando onde a mudança demográfica parece estar acontecendo. Porque envelhecer não necessariamente significa querer sair.

Pode significar querer menos espaço, mais serviços, comércio, saúde. Ou continuar morando no mesmo bairro, só que de uma maneira diferente.

E aqui está o grande problema: podemos estar construindo apartamentos novos sem atender as necessidades de uma população que está envelhecendo e que, principalmente, já vive ali.

Bairros como Leblon e Méier, envelheceram? Sim, mas essa é a pergunta fácil. A difícil é outra. Construir uma cidade nova não está me parecendo ser o grande desafio.

Por que existem bairros no Rio de Janeiro que envelheceram junto com as pessoas? Será que o mercado envelheceu junto com elas?


Ver online: CNN Brasil / Duda Herriot