CASACOR Rio ocupa prédio que passou por retrofit de R$ 100 milhões e vira vitrine para o Centro

em Melhor Investimento, 17/outubro

A edição de 35 anos da CASACOR Rio ocupa o Edifício Aliança da Bahia, prédio modernista que passou por retrofit estimado em R$ 100 milhões. A mostra funciona como vitrine para atrair empresas ao Centro, e a Norte Energia já vai ocupar um andar após o evento.

A CASACOR Rio chega ao último mês de sua edição de 35 anos ocupando um prédio que virou símbolo da tentativa de revitalizar o Centro carioca. A mostra de arquitetura, design e paisagismo está instalada até 8 de novembro no Edifício Aliança da Bahia, na Rua Araújo Porto Alegre, 36, imóvel modernista que passou por um retrofit com investimento estimado em R$ 100 milhões.

A escolha do endereço vai além da estética. Para os donos do edifício, a exposição funciona como uma grande vitrine para atrair inquilinos corporativos a uma região que ainda tenta recuperar escritórios vazios. Para a cidade, ajuda a levar público a uma área que é alvo do programa municipal Reviver Centro.

Um prédio histórico que volta ao mercado

O Aliança da Bahia foi erguido entre 1957 e 1961 para sediar a Companhia de Seguros Aliança da Bahia, considerada a seguradora mais antiga do país. São 15 pavimentos, lajes de cerca de mil metros quadrados, fachadas envidraçadas, brises metálicos e revestimento em mármore travertino. O prédio ocupa um quarteirão inteiro na antiga Esplanada do Castelo, em frente ao Palácio Gustavo Capanema, e é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.

O retrofit, assinado pelo arquiteto Ruy Rezende, levou cerca de dois anos e meio e foi concluído em 2025. A CASACOR Rio ocupa seis andares, além do térreo e da cobertura, com dezenas de ambientes entre estúdios, lofts, apartamentos compactos, jardins e intervenções artísticas.

Inquilino garantido após a mostra

Segundo o Diário do Rio, a Norte Energia, concessionária responsável pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, vai ocupar um andar inteiro do edifício depois do encerramento da mostra e transferir atividades de Brasília para o Rio. A construtora do retrofit vê a CASACOR Rio como uma forma de apresentar o espaço a arquitetos, empresários e investidores que circulam pela exposição.

Retrofit como estratégia imobiliária

A reforma de prédios antigos para novos usos ganhou força nas grandes cidades brasileiras. Em vez de construir do zero, incorporadores modernizam estruturas existentes, aproveitando localização central e infraestrutura já instalada. No Centro do Rio, muitos edifícios comerciais têm décadas de uso, o que torna imóveis renovados mais competitivos para empresas que buscam escritórios atualizados.

Para o investidor pessoa física, esse movimento aparece principalmente nos fundos imobiliários de lajes corporativas, cuja rentabilidade depende da taxa de ocupação e do valor do aluguel dos prédios. O portal já mostrou negócios do setor, como a proposta de R$ 367 milhões por imóveis do AIEC11.

Para os organizadores, a mudança também tem peso simbólico. Por décadas, a mostra ocupou casarões da Zona Sul. Em 2026, a CASACOR Rio decidiu trocar esse roteiro por um edifício de escritórios no coração financeiro antigo da cidade, apostando que o público acompanharia a mudança. A presença de visitantes durante quase dois meses movimenta restaurantes, estacionamentos e o comércio do entorno, que sofreu com a redução do fluxo de trabalhadores nos últimos anos.

O desafio de longo prazo é transformar esse movimento pontual em ocupação permanente. Programas de incentivo à moradia e à conversão de prédios comerciais em residenciais buscam justamente trazer gente para o Centro também à noite e nos fins de semana.

O que ver na CASACOR Rio

Com o tema “Mente e Coração”, a edição transforma o prédio em um condomínio contemporâneo, com implantação do arquiteto Mário Santos. Um dos projetos homenageia o designer Sergio Rodrigues, que completaria 100 anos em 2026. A edição também reúne profissionais que participaram da primeira mostra carioca, em 1991.

No rooftop, bares e restaurante dividem espaço com um mirante para a Baía de Guanabara. O térreo tem jardins, café, livraria e lojas. A CASACOR Rio integra ainda a Semana de Arte e Cultura do Rio, promovida pela prefeitura com a ArtRio.

Quanto custa visitar

  • Ingresso: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada), pelo app oficial;
  • Acesso gratuito: térreo e rooftop; crianças até 10 anos não pagam;
  • Horário: terça a domingo, das 12h às 22h;
  • Até quando: 8 de novembro.

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